AGETRAT divulga Boletim Informativo com diagnóstico do trânsito em Corumbá
A Agência Municipal de Trânsito e Transporte de Corumbá apresentou o Boletim Informativo de Segurança Viária relativo ao primeiro semestre de 2026, documento que consolida informações operacionais e registros de saúde para orientar ações municipais.
O levantamento reúne 1.267 serviços e ações realizadas pela AGETRAT e 826 registros de atendimento a vítimas de acidentes encaminhados pela Secretaria Municipal de Saúde provenientes do Pronto Socorro e da Unidade de Pronto Atendimento UPA 24h, com dados sistematizados entre janeiro e junho.
Mariana Ricco Arguello Ortiz, diretora-presidente da AGETRAT, destacou o ganho de visão integrada que o material oferece e a aplicação prática das informações para direcionamento de políticas públicas.
“Esse Boletim representa um avanço importante para a AGETRAT porque nos permite enxergar o trânsito de Corumbá de maneira mais ampla. Conseguimos reunir o trabalho realizado pela Agência e, ao mesmo tempo, identificar quem aparece com maior frequência nos registros de sinistros, em quais períodos e de que maneira essas ocorrências acontecem. Isso nos dá melhores condições para direcionar fiscalização, educação e engenharia aos pontos e públicos que mais necessitam de atenção”
Ao reunir fiscalizaçao, educação para o trânsito, engenharia de tráfego e informações da saúde, a publicação busca transformar registros administrativos em subsídios para planejamento e cooperação entre órgãos municipais e instituições com interface nas políticas de mobilidade.
Entre as ações registradas no semestre estão 250 registros de segurança escolar, 227 interdições viárias, 200 atendimentos diretos à população e 190 atendimentos a denúncias relacionadas ao transporte irregular, além de 70 ações educativas sobre uso do cinto de segurança, respeito à sinalização, riscos do uso do telefone celular e convivência responsável entre usuários da via.
Na fiscalização houve padrão claro de infrações recorrentes, com a falta do uso do cinto de segurança liderando com 1.682 notificações, seguida por condução de veículo não licenciado, uso de calçado inadequado, avanço de sinal vermelho e uso do telefone celular ao dirigir.
O diagnóstico de sinistros consolida 826 registros que não necessariamente correspondem a 826 ocorrências distintas, pois um único evento pode envolver várias pessoas atendidas. A classificação de gravidade aponta 781 atendimentos leves, 44 graves e um óbito, o que representa 94,6 por cento, 5,3 por cento e 0,1 por cento respectivamente.
Os dados permitem ainda identificar perfis demográficos e de modais. Homens aparecem em 536 registros, 64,9 por cento da base, enquanto mulheres somam 290 registros, 35,1 por cento, com proporções de gravidade semelhantes entre os gêneros. Entre as mulheres há maior participação proporcional de ocorrências envolvendo automóveis e da faixa etária de 35 a 44 anos, enquanto entre os homens se observa maior concentração de jovens entre 18 e 34 anos.
A faixa etária de 18 a 24 anos contabilizou 192 registros, 23,2 por cento do total, e a de 25 a 34 anos somou 183 registros, 22,2 por cento. Juntas, as duas faixas concentram 375 atendimentos, ou 45,4 por cento da base. Foram ainda identificados 104 atendimentos a pessoas de até 17 anos e 60 registros envolvendo pessoas com 60 anos ou mais.
Em termos de veículos e modos de deslocamento, motocicletas aparecem em 544 registros, 65,9 por cento do total, enquanto bicicletas estão associadas a 174 ocorrências, 21,1 por cento. Somados, motocicletas e bicicletas representam 86,9 por cento dos atendimentos analisados, reforçando a necessidade de foco preventivo nesses usuários.
A natureza dos eventos confirma esse padrão com quedas de motocicleta sendo o tipo mais frequente, 362 registros, 43,8 por cento, seguido por quedas de bicicleta com 125 registros, 15,1 por cento, totalizando 487 quedas e 59 por cento do conjunto. A colisão entre motocicleta e automóvel aparece em seguida com 111 registros, 13,4 por cento.
A dimensão temporal mostra concentração de atendimentos em fins de semana e no período vespertino e noturno. Entre 813 registros com data individualizada o sábado teve 162 atendimentos, a quinta-feira 120 e o domingo 115. Já os horários entre 18h e 23h somaram 267 registros, 32,3 por cento, e entre 12h e 17h foram 266 registros, 32,2 por cento, totalizando 64,5 por cento das ocorrências.
O assessor responsável pela redação e sistematização do Boletim na Assessoria Jurídica Administrativa da AGETRAT explicou o valor de cruzar diferentes fontes para revelar padrões e orientar ações públicas.
“Quando analisamos isoladamente uma infração, um atendimento ou um sinistro, temos uma informação pontual. Quando esses dados são organizados em conjunto, começamos a compreender padrões. Hoje conseguimos observar, por exemplo, a forte presença de jovens e usuários de motocicletas entre os atendimentos, os períodos com maior número de registros e as naturezas mais recorrentes. Isso permite transformar informação administrativa em diagnóstico e, principalmente, em subsídio para prevenção e tomada de decisão”
O Boletim também aponta desafios para as próximas edições, em especial o aperfeiçoamento dos dados territoriais dos sinistros. Já houve alinhamento com a Secretaria Municipal de Saúde para melhorar o preenchimento de endereços, com a meta de identificar com maior precisão bairros e vias com maior concentração de atendimentos.
A iniciativa terá continuidade com a previsão de publicação de um Boletim Anual que consolidará os dados de todo o ano de 2026, possibilitando acompanhar a evolução dos indicadores e avaliar com mais precisão os efeitos das ações implementadas.
Mariana Ricco voltou a situar o propósito do material no âmbito da gestão municipal e da articulação interinstitucional.
“Nosso objetivo é transformar informação em ação. Saber quem está mais presente nos registros, como esses sinistros acontecem e em quais períodos eles se concentram nos permite trabalhar de forma mais assertiva. O Boletim será apresentado aos demais órgãos e autoridades justamente porque segurança viária exige atuação conjunta. Queremos que esses dados ajudem não apenas a AGETRAT, mas todo o município a pensar políticas e ações que preservem vidas”
A publicação está disponível na versão pública do Boletim Informativo Semestre 2026 VERSÃO 1 PÚBLICO e a Agência prevê exposição do conteúdo a autoridades e instituições com interface nas áreas de mobilidade, saúde e segurança.
Para contato com a AGETRAT os números disponíveis são (67) 98191-0023 para atendimento geral e (67) 98191-0047 para o plantão de fiscalização de trânsito.

