Programa Centelha apoia inovação e viabiliza corante vermelho de microrganismos
Uma startup de Mato Grosso do Sul vem transformando microrganismos do solo pantaneiro em um corante vermelho natural com potencial de aplicação em setores industriais variados, estágio que recebeu impulso do Programa Centelha e hoje avança para escala piloto pré-industrial.
A tecnologia, desenvolvida pela Arandu Biotecnologia a partir de pesquisas acadêmicas, utiliza processos biotecnológicos como a fermentação para estimular o crescimento controlado de bactérias e fungos que produzem o pigmento, método que permite produção contínua sem dependência de clima ou sazonalidade.
O produto não emprega matéria-prima de origem animal nem solventes químicos agressivos, o que reduz impactos ambientais e atende exigências de mercado por rotulagem limpa e transparência na composição dos alimentos e insumos, segundo informações fornecidas pela empresa.
Arthur Ladeira Macedo, sócio-fundador da Arandu e pesquisador responsável pelo desenvolvimento da tecnologia, relata a importância do apoio inicial do programa para transformar a pesquisa em negócio. “O Centelha foi o pontapé inicial para tirar a tecnologia do papel e consolidar as primeiras entregas técnicas e de estruturação”
Com o suporte da segunda edição do programa, a Arandu organizou sua operação e avançou nos protocolos necessários para ampliar a produção. “Atualmente, a Arandu está na fase de transição do laboratório para a escala piloto pré-industrial”
A etapa de transição descrita pela empresa implica aumentar volumes de produção e ajustar processos para se aproximar das condições industriais, exigindo padronização, controle de qualidade e testes de aplicação em diferentes matrizes, além de avançar nas exigências regulatórias e na estruturação operacional.
“O processo ainda se encontra em fase de ajustes técnicos, o que é esperado neste estágio de desenvolvimento”
A experiência da Arandu é citada como exemplo do efeito do apoio público à inovação, que conecta conhecimento científico ao desenvolvimento econômico regional. A terceira edição do Programa Centelha no Estado abre novas oportunidades para iniciativas semelhantes.
Recursos e inscrições
A chamada prevê a seleção de até 47 propostas e disponibiliza R$ 6,5 milhões no total. Cada projeto poderá receber até R$ 89,6 mil em subvenção econômica, além de R$ 50 mil em bolsas de fomento tecnológico e extensão inovadora concedidas pelo CNPq, somando R$ 139,6 mil por iniciativa.
Podem se inscrever pessoas físicas e empresas nascentes com até 12 meses de existência. As inscrições ficam abertas até 11 de maio de 2026 e devem ser realizadas em ms.programacentelha.com.br
Coordenação e execução
O programa é coordenado nacionalmente pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação por meio da Financiadora de Estudos e Projetos Finep, em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico CNPq, o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa Confap e a Fundação CERTI.
Em Mato Grosso do Sul, a execução cabe à Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia Fundect, vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação Semadesc, com parceria do Sebrae MS, Senai-Fiems, Fecomércio-Senac, Ecossistema de Inovação e o Conselho de Reitores das Instituições de Ensino Superior de Mato Grosso do Sul CRIE-MS.
Informações adicionais e material multimídia sobre o tema estão disponíveis no Instagram da Fundect, onde foi divulgado vídeo relacionado ao projeto e à participação da Arandu no programa.

