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Brics pede contenção e amplia reivindicações sobre comércio e reforma da ONU

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O Brics manifestou profunda preocupação com as tensões no Oriente Médio durante a cúpula realizada em Nova Delhi e conclamou à contenção entre as partes envolvidas, conforme consta da declaração oficial do encontro.

A declaração, intitulada “Construindo para a Resiliência, Inovação, Cooperação e Sustentabilidade”, foi divulgada no sábado 12 e tem 35 páginas e 140 parágrafos, reunindo uma formulação cuidadosa sobre a situação regional e outras pautas de interesse comum.

Ao tratar diretamente do episódio que agrava a insegurança no Golfo Pérsico, o documento afirmou sua preocupação com a evolução do conflito e fez um apelo à moderação, assinalando riscos de ampliação do confronto.

“Expressamos profunda preocupação com a contínua escalada das tensões no Oriente Médio/Ásia Ocidental e, recordando nossas respectivas posições nacionais, conclamamos ao exercício da máxima contenção, bem como à abstenção de ações que possam agravar ainda mais a situação.”

O texto evita citar países ou empregar a palavra guerra em referência ao conflito que teve início em fevereiro, quando Estados Unidos e Israel realizaram ataques contra o Irã alegando desenvolvimento de armas nucleares, hipótese negada por Teerã, que posteriormente atacou Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita, ambos membros do Brics alinhados aos EUA.

Além da mensagem sobre o Golfo, os signatários também apontaram críticas às práticas de barreiras comerciais que vêm sendo adotadas unilateralmente e que, segundo eles, destroem regras multilaterais e distorcem trocas econômicas.

“Manifestamos sérias preocupações com o aumento de medidas tarifárias e não tarifárias unilaterais que distorcem o comércio e são incompatíveis com as regras da Organização Mundial do Comércio.”

O documento não menciona nomes de países ao criticar tarifas, embora o contexto inclua medidas adotadas por potências que elevaram impostos a parceiros comerciais a partir de 2025.

Em relação à governança global, o bloco defendeu reformas no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas com a meta de torná-lo mais representativo e ampliando a presença de nações em desenvolvimento.

“China e Rússia, como membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, reiteram seu apoio às aspirações do Brasil e da Índia de desempenhar um papel maior na ONU, incluindo seu Conselho de Segurança.”

O apoio expresso por China e Rússia, ambos detentores de assento permanente e poder de veto, foi registrado sem que o texto citasse de modo explícito a inclusão do Brasil como membro permanente, mantendo a linguagem diplomática que facilita consenso entre participantes.

Os países do Brics também discutiram instrumentos financeiros e ressaltaram avanços rumo a soluções práticas para pagamentos transfronteiriços, em moedas locais, sem, contudo, propor a criação de uma moeda própria do bloco ou a substituição do dólar.

Na agenda social, os signatários colocaram a erradicação da pobreza como prioridade, qualificando-a como condição essencial ao desenvolvimento sustentável e propondo a criação de mecanismos de acompanhamento internacional.

“é o maior desafio global e requisito indispensável para o desenvolvimento sustentável”

O agrupamento atual reúne Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã, e, conforme informações oficiais, representa 39% da economia mundial, 48,5% da população do planeta e 23% do comércio global.

A reunião contou com a presença de líderes como o primeiro-ministro indiano Narendra Modi e os presidentes Xi Jinping, Vladimir Putin e Cyril Ramaphosa, além de Masoud Pezeshkian representando o Irã; os Emirados Árabes Unidos enviaram o príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Sheikh Khaled bin Mohamed bin Zayed Al Nahyan, e o Brasil esteve representado pelo ministro das Relações Exteriores Mauro Vieira.

Em nota de contexto sobre o formato do encontro, diplomatas lembram que a prática de não nomear países em passagens sensíveis facilita o acordo em textos multilaterais, e que, em 2025, o Brics foi presidido pelo Brasil, com a reunião anual ocorrendo em julho no Rio de Janeiro.

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