Paraguai apreende 1,2 tonelada de maconha premium que seria levada ao Brasil

Mais de 1,2 tonelada de maconha do tipo “premium” destinada ao mercado brasileiro foi apreendida pelo Paraguai em operações recentes que, segundo a Secretaria Nacional Antidrogas (Senad), provocaram prejuízo superior a US$ 17 milhões ao crime organizado. As cargas foram interceptadas em diferentes pontos de entrada e saída do país, incluindo aeroportos, terminais portuários e regiões de fronteira.

A variedade apreendida possui maior concentração de THC, além de características genéticas e técnicas de produção que elevam seu valor no mercado ilegal. Conforme a Senad, um quilo da droga pode chegar a US$ 14 mil no Brasil.

Entre as maiores apreensões está uma carga de 311 quilos encontrada no Puerto Texport, em Villeta. O entorpecente estava escondido em veículos procedentes dos Estados Unidos e, de acordo com o órgão paraguaio, os responsáveis utilizaram métodos sofisticados para ocultar o carregamento.

Outra fiscalização, realizada nas proximidades da Ponte da Integração, resultou na apreensão de 304 quilos. A droga estava escondida em um compartimento falso de um veículo que seguia em direção ao Brasil.

No aeroporto, agentes interceptaram um jato procedente dos Estados Unidos e encontraram 261 quilos de maconha “premium”. Três cidadãos norte-americanos foram presos sob suspeita de participação no transporte do entorpecente.

A operação “AIR BOX” também identificou uma carga de 147 quilos. Os tabletes estavam escondidos em caixas declaradas como obras de arte e enviadas da Califórnia, nos Estados Unidos.

As apreensões envolveram diferentes apresentações da droga, como flores, cera, produtos prensados, óleos, cápsulas e sementes. As ações utilizaram informações de inteligência, inspeção de cargas, fiscalização e cães farejadores.

Droga mais valorizada amplia interesse das organizações criminosas

Segundo a Senad, a produção da chamada maconha “premium” utiliza sementes selecionadas, genética especializada e técnicas de cultivo mais sofisticadas. Organizações paraguaias e brasileiras também estariam adotando processos controlados de produção e métodos mais complexos de extração.

O órgão paraguaio aponta ainda que o crescimento dos mercados legais de cannabis em alguns estados norte-americanos é explorado por organizações criminosas para desviar produtos e inseri-los em rotas internacionais de tráfico.

Nesse fluxo, o Paraguai funciona como corredor estratégico para cargas destinadas ao Brasil. Para a Senad, as apreensões recentes mostram uma mudança na atuação dos grupos criminosos, que passaram a investir em produtos de maior valor e em formas mais elaboradas de transporte e ocultação.

Embora a maconha convencional continue entre as principais fontes de lucro do crime organizado na região, a variedade “premium” ganhou espaço pelo preço mais elevado e pela possibilidade de maior rentabilidade. A Senad informou que pretende ampliar o trabalho de inteligência e fiscalização em aeroportos, portos, terminais de cargas e pontos de fronteira para identificar os carregamentos antes que cheguem ao mercado criminoso regional.

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