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Partidos do centrão evitam aliança com Flávio Bolsonaro na disputa presidencial

Flávio Bolsonaro em palco de convenção vazio com líderes do centrão em silhueta ao fundo
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A poucos dias da convenção que deve confirmar sua candidatura ao Planalto, Flávio Bolsonaro não conseguiu atrair as principais siglas do centrão para uma coligação nacional, o que reduz sua capacidade de ampliar verba do fundo eleitoral e tempo de propaganda. Parlamentares do centrão ouvidos de forma reservada relatam insatisfação com a indisposição do pré candidato para negociar participação no futuro governo ou discutir acordos estaduais.

Dirigentes do União Brasil, do PP e do Republicanos dizem que houve pedidos de apoio sem contrapartidas claras, e em casos como o do Republicanos nem houve contato direto com a cúpula da legenda, afirma a mesma fonte. Entre as lideranças há quem prefira concentrar recursos na eleição de deputados federais a assumir compromisso de dividir o fundo eleitoral com uma campanha presidencial que não oferece garantias de representação.

Motivos das resistências e implicações para a chapa

Nas conversas internas, os presidentes das legendas passaram a evitar encontros pessoais com Flávio para não serem colocados na posição de negar publicamente uma aliança, comportamento que já afastou articulação anterior entre os grupos. ‘só dependeria’ da moderação do discurso foi como avaliaram em abril a eventual adesão da federação ao nome do PL.

‘Ele tem tudo para receber nosso apoio’ declarou um dirigente na mesma ocasião, em referência ao potencial eleitoral do pré candidato, mas a avaliação mudou diante dos sinais de isolamento e da forma como a pré campanha foi conduzida. A mudança de tom entre abril e agora ilustra a perda de entusiasmo no centrão e a preferência por estratégias individuais por estado.

A ausência de legendas aliadas dificulta a escolha de um vice capaz de agregar palanques regionais, segundo lideranças consultadas, e reduz a margem para ampliar recursos e tempo na propaganda eleitoral. A equipe do pré candidato minimiza o impacto, lembrando que o PL sozinho detém quantidade significativa de tempo e verba, mas interlocutores observam que a aliança rival pode render maior fatia na grade da propaganda.

O coordenador da pré campanha, senador Rogério Marinho, reconheceu que a candidatura chegará à convenção sem um vice definido e que houve problemas de articulação, afirma a mesma assessoria. Para dirigentes do centrão, a concentração de decisões na pré campanha e a falta de maior diálogo com os partidos locais contribuíram para o distanciamento.

Parlamentares apontam ainda que crises registradas na fase inicial da corrida, como o episódio conhecido pelo nome Dark Horse e o conflito com Michelle Bolsonaro, atrasaram a construção de acordos regionais mesmo sem afetar diretamente a intenção de voto, na avaliação de aliados. A sequência de episódios complicou a coordenação de apoios e deixou pouco tempo para costurar coligações consistentes.

A reação à investigação da Polícia Federal que atingiu o senador Ciro Nogueira e o fato de o pré candidato não ter saído em defesa do aliado também afetaram a relação com o PP, segundo dirigentes consultados. Em seguida, a revelação de pedido de recursos envolvendo Daniel Vorcaro tornou a interlocução ainda mais difícil para a candidatura.

No Republicanos, a preferência pessoal por Daniella Marques, filiada ao partido, gerou ruídos porque a escolha foi tratada como uma decisão pessoal e não como consulta formal ao presidente da sigla, o deputado Marcos Pereira. Esse tipo de movimento reduziu o estímulo interno para uma adesão mais ampla do partido à chapa nacional.

Embora a tendência seja por uma chapa majoritariamente do PL em nível nacional, Flávio manteve acordos com forças do centrão em pelo menos seis estados, com nomes como Tarcísio no Republicanos de São Paulo, Celina Leão no PP do Distrito Federal e ACM Neto no União Brasil da Bahia. Há também perspectivas de coligações regionais para disputas ao Senado em ao menos cinco unidades da federação, exemplo atribuído a candidaturas como a de Guilherme Derrite no PP de São Paulo.

Lideranças do centrão afirmam que esperavam uma atuação mais conciliadora da família Bolsonaro através do senador, tido anteriormente como o membro com maior capacidade de articulação, e que faltaram experiência, pulso e estratégia para evitar o isolamento atual. A avaliação interna do grupo indica que escolhas centralizadas na cúpula do PL e preferências pessoais contribuíram para o cenário de distanciamento.

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