PF inclui emenda de R$ 1 milhão de Pollon em investigação ligada a filme sobre Bolsonaro
Uma emenda de R$ 1 m(PL-MS) aparece no relatório da Polícia Federal que embasou a Operação Make Up, deflagrada nesta quinta-feira (10) para investigar suspeitas de desvio de recursos públicos. O dinheiro indicado pelo parlamentar sul-mato-grossense não chegou a ser liberado.
A verba tinha como beneficiária a Academia Nacional de Cultura, entidade presidida por Karina Ferreira da Gama. Ela também é dona da produtora responsável por “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O caso ganhou alcance direto em Mato Grosso do Sul porque a PF registrou que Pollon foi eleito pelo Estado, enquanto os recursos indicados tinham como destino São Paulo. Segundo os investigadores, a diferença entre o Estado representado pelo parlamentar e o local beneficiado pode indicar descumprimento das regras aplicáveis às emendas.
Além de Pollon, a apuração alcança emendas apresentadas por Mario Frias (PL-SP) e Bia Kicis (PL-DF). No caso de Bia, R$ 150 mil também foram destinados à Academia Nacional de Cultura e não chegaram a ser pagos.
Pollon já havia afirmado anteriormente que os R$ 1 milhão não foram liberados e que a verba acabou redirecionada para atendimento oncológico em Barretos. O deputado nega irregularidades relacionadas à indicação.
A reportagem do Folha MS procurou Marcos Pollon nesta quinta-feira para uma manifestação após a nova operação da Polícia Federal, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria.
Operação Make Up
A situação de Pollon é diferente da enfrentada por Mario Frias nesta quinta-feira. Frias foi alvo de mandado de busca e apreensão autorizado pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal. Karina Gama e outros investigados também foram alvos da operação.
De acordo com a PF, o Instituto Conhecer Brasil, outra entidade presidida por Karina, recebeu R$ 2 milhões em emendas assinadas por Frias. Os investigadores apuram suspeitas de que recursos públicos tenham sido desviados e usados em despesas como hospedagem, alimentação e pagamentos a empresas relacionadas à produção do filme.
A Operação Make Up foi realizada pela Polícia Federal em conjunto com a Controladoria-Geral da União. Foram expedidos 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal.
As investigações apontam suspeitas de direcionamento de recursos para empresas subcontratadas sem comprovação da efetiva prestação dos serviços. A PF também identificou movimentações de centenas de milhões de reais entre empresas que integram o conjunto investigado.
