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Agepen dispensa diretor-adjunto da Gameleira II denunciado por corrupção

Canteiro de obras das novas unidades prisionais no Complexo da Gameleira em Campo Grande

A Agepen dispensou o diretor-adjunto da Gameleira II, Aluizio Botero Chastel Villazante, da função de confiança após o policial penal ser denunciado por suspeita de participação em um esquema de corrupção no sistema prisional de Mato Grosso do Sul. A decisão foi publicada no Diário Oficial do Estado desta quinta-feira (10).

O ato foi assinado na terça-feira (8) pelo diretor-presidente da Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário, Rodrigo Rossi Maiorchini. Para ocupar a função, a Agepen designou o policial penal Ramão Luiz Victor, com efeitos a partir da mesma data.

Aluizio responde na Justiça por corrupção passiva e organização criminosa. A denúncia contra ele e outros investigados foi aceita pela 2ª Vara Criminal de Dourados no fim de julho, dentro das apurações relacionadas à Operação Sátrapa.

Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul, o policial penal teria recebido R$ 10 mil em propina entre agosto e setembro de 2024, quando já atuava na vice-direção da Penitenciária da Gameleira II, em Campo Grande.

A acusação aponta que o dinheiro teria sido repassado durante uma negociação com a advogada Aline Guerrato. Ela é apontada como uma das lideranças do esquema ao lado do marido, Luis Élio Gonçalves Filho, conhecido como “Cabeça de Porco”, identificado na investigação como integrante do Comando Vermelho.

A promotoria sustenta que valores movimentados ultrapassaram os limites permitidos para depósitos destinados à cantina dos presídios. Aluizio teria facilitado a entrada de dinheiro na unidade ou deixado de cumprir obrigações de fiscalização em troca de vantagem indevida. A investigação também apura facilidades para ingresso de drogas no sistema prisional.

Operação investiga 11 servidores

A Operação Sátrapa, conduzida pela Ficco, Força Integrada de Combate ao Crime Organizado, investiga 11 servidores por suspeitas de corrupção, favorecimento de presos e participação em organização criminosa dentro do sistema penitenciário de Mato Grosso do Sul.

Entre os denunciados estão o ex-diretor da Penitenciária Estadual de Dourados, Rangel Schveiger, e o ex-chefe de disciplina Mauro Pereira dos Santos. Conforme o MPMS, os dois são acusados de receber R$ 300 mil de um detento para permitir a comercialização exclusiva de drogas e o porte de uma pistola calibre 9 milímetros dentro da PED.

As investigações também apontam suspeitas de facilitação da entrada de celulares em presídios, fraudes em licitações públicas e concessão irregular de benefícios penitenciários.

Apesar de receber a denúncia contra os 11 investigados, a Justiça rejeitou o pedido do MPMS para afastar cautelarmente das funções públicas os servidores que continuavam na ativa. A decisão considerou não haver fatos contemporâneos que justificassem a medida.

A saída de Aluizio da direção da Gameleira II ocorreu, portanto, por decisão administrativa da própria Agepen e não por determinação judicial de afastamento.

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