Brigadas indígenas promovem queima prescrita no Pantanal
Representantes de 10 brigadas indígenas e comunitárias de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Roraima realizaram uma queima prescrita na APA Baía Negra, em Ladário, no Pantanal. O treinamento reuniu 68 participantes entre pesquisadores brasileiros e portugueses, bombeiros e gestores ambientais e integrou o projeto Vidas e Vozes Kadiwéu do Instituto Terra Brasilis em parceria com a Petrobras dentro do Programa Petrobras Socioambiental.
A APA Baía Negra foi escolhida por reunir características e desafios comuns a outras áreas do Pantanal, entre eles o fluxo contínuo de visitantes, pescadores e moradores que exige ações permanentes de prevenção a incêndios. Para a atividade de campo foram preparadas quatro parcelas que somam cerca de cinco hectares, sendo que duas áreas receberam aplicação do fogo; em uma delas aproximadamente metade da vegetação queimou e na outra a umidade do capim impediu a propagação das chamas.
Reinaldo Lourival, diretor-executivo do Instituto Terra Brasilis e idealizador do evento, explicou o objetivo do exercício. “A atividade permitiu demonstrar, na prática, um dos princípios do manejo integrado do fogo que é compreender em quais condições a ferramenta pode ser utilizada com segurança e quando fatores ambientais impedem seu avanço.”
Resultados e desafios
A coordenadora do projeto Vidas e Vozes Kadiwéu, Angélica Guerra, destacou que um dos principais resultados do encontro foi a integração entre diferentes segmentos envolvidos na prevenção e combate aos incêndios. A programação buscou reunir brigadistas indígenas e comunitários, pesquisadores, bombeiros e gestores públicos para compartilhar experiências e adaptar ao Pantanal metodologias internacionais de treinamento.
Virgínia Paz, presidente da APA Baía Negra e chefe da brigada comunitária local, afirmou que a capacitação fortalece a preparação dos brigadistas e amplia a compreensão da população sobre a importância da queima prescrita. Ela ressaltou que parte do trabalho da brigada ocorre fora dos períodos críticos de incêndio, com orientações voltadas ao uso responsável do fogo em uma área que também recebe atividades de lazer e pesca.
Nos encontros realizados em Corumbá e Ladário os participantes debateram avanços e obstáculos do manejo integrado do fogo. Entre os resultados apontados estão a redução de focos de incêndio em diferentes regiões do Pantanal, a criação de brigadas comunitárias, o fortalecimento da educação ambiental e a ampliação do diálogo com moradores. Ao mesmo tempo, brigadistas relataram problemas como chegada tardia de equipamentos, limitações de apoio logístico e dificuldades de acesso a determinadas áreas.
Integrante da brigada Taunay-Ipegue, de Aquidauana, Neudines Félix defendeu a ampliação das oportunidades para mulheres no manejo integrado do fogo e afirmou que a presença feminina ainda é reduzida, apesar da capacidade técnica e do potencial de contribuição das brigadistas para as ações de prevenção e combate aos incêndios.
