Operação Cartas Marcadas cumpre 76 ordens judiciais em cinco municípios de MS

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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul deflagrou nesta quarta-feira (5) a Operação Cartas Marcadas e cumpriu 76 ordens judiciais em Campo Grande, Corguinho, Rio Negro, Rochedo e Terenos. As medidas foram determinadas pelo Tribunal de Justiça de MS e incluem buscas, afastamentos de cargos públicos, proibição de contratar com o poder público e suspensão de contratos em vigor.

Segundo o MPMS, a operação executou 46 mandados de busca e apreensão, cinco mandados de afastamento de funções públicas, 22 ordens de proibição de contratação com a administração pública e três mandados de suspensão de contratos administrativos. As ações foram coordenadas pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado, o Gaeco, por delegação da Procuradoria-Geral de Justiça.

A investigação apontou a existência de uma organização criminosa estruturada para cometer crimes contra a administração pública, com atuação concentrada nos municípios de Corguinho e Rio Negro. De acordo com o MPMS, o grupo era liderado por agentes políticos, apontados como responsáveis por articular e comandar o esquema.

Conforme apurado, servidores públicos teriam sido cooptados para fraudar procedimentos licitatórios e eliminar a concorrência entre empresas. As irregularidades envolveram desde dispensas de licitação manipuladas para compra de materiais de expediente até contratações para execução de obras públicas. Em alguns casos, as obras teriam sido iniciadas antes mesmo da formalização dos contratos, segundo o Ministério Público.

O MPMS informou que os contratos direcionados às empresas investigadas somam, apenas nos últimos três anos, valores próximos a R$ 9 milhões. As apurações indicam que os certames eram ajustados previamente para beneficiar integrantes do esquema, com aparência formal de legalidade.

Parte das provas utilizadas na investigação teve origem em dados extraídos de celulares apreendidos nas operações Turn Off e Malebolge. O compartilhamento do material foi autorizado judicialmente e permitiu identificar o modo de atuação do grupo e os agentes políticos envolvidos, segundo o Gaeco. A operação contou com apoio do Batalhão de Choque e do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar. O nome Cartas Marcadas, conforme o MPMS, faz referência a contratações supostamente decididas antes da abertura dos procedimentos oficiais, com resultados previamente definidos.

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