PL oficializa candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência sem anunciar vice e com dancinha de Milei
Neste sábado, em São Paulo, o Partido Liberal confirmou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República e não apresentou o nome que ocupará a vaga de vice na chapa.
Em seu primeiro discurso como candidato, de cerca de 15 minutos, Flávio afirmou que sua postulação representa a continuidade do projeto político do pai e fez críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao Supremo Tribunal Federal. “Pai, eu vou te honrar. E você vai colocar essa faixa de presidente em mim em janeiro do ano que vem.”
O senador também afirmou que o Brasil foi “sequestrado” e prometeu “libertar o país desse cativeiro”, ao mesmo tempo em que defendeu endurecimento da legislação penal, redução de impostos e a formação de uma maioria de centro-direita no Congresso.
A convenção exibiu um vídeo produzido com inteligência artificial para simular uma mensagem de Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. “Estou preso e calado por uma decisão arbitrária. Nenhuma prisão vai calar o sentimento de esperança que despertamos.”

Michelle Bolsonaro participou por meio de um vídeo, em sua primeira manifestação pública de apoio desde o rompimento com o senador, encerrado após um pedido público de desculpas. “Flávio, que Deus abençoe e proteja sua candidatura.”
Convidado de honra, o presidente da Argentina Javier Milei fez discurso com tom antissocialista e afirmou que a disputa eleitoral é entre liberdade e submissão. “a pessoa que hoje pode parar Lula” e ao encerrar repetiu seu bordão “Viva la libertad, carajo.”
A convenção reuniu familiares e aliados; esteve presente Rogéria Bolsonaro, mãe de Flávio, e foram exibidas mensagens gravadas de Eduardo e Carlos Bolsonaro. “Vamos vencer essa eleição, soltar Bolsonaro e anistiar os presos de 8 de janeiro.” “Não há mais tempo para ego, projeto pessoal. É Flávio Bolsonaro eleito.”
A esposa do candidato, Fernanda Bolsonaro, também falou no evento e passou a ter participação ampliada na campanha nas últimas semanas. “Estou até com uma colinha” e “Meu amor, eu vou sempre estar ao seu lado. Eu e nossas filhas temos muito orgulho da coragem de você seguir nessa missão e do homem de Deus que você se tornou.”
Flávio não indicou quem será o vice e disse preferir uma mulher na chapa, condicionando a escolha às negociações de aliança que podem aumentar o tempo de propaganda eleitoral. Partidos como a federação entre PP e União Brasil e o Republicanos têm indicado neutralidade; nomes citados para a vaga são a economista Daniella Marques e a deputada Simone Marquetto, enquanto a senadora Tereza Cristina descartou a composição com o senador, e o prazo para definição é 15 de agosto.
O senador, empresário e advogado de 45 anos, foi escolhido pelo pai para representar a família na disputa e já enfrentou desgaste nas pesquisas após o caso conhecido como Dark Horse. Em levantamento recente da Quaest ele aparece com 28% no primeiro turno, doze pontos atrás de Lula.
Na semana anterior à convenção, o ministro André Mendonça autorizou a Polícia Federal a investigar repasses do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e se parte desses valores foram usados para despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, e outro inquérito autorizado pelo ministro Flávio Dino apura possível desvio de emendas em favor da produtora do filme sobre Jair Bolsonaro.
Durante a pré-campanha, Flávio apresentou o programa “Brasil sem Medo”, com propostas como reduzir a maioridade penal, classificar facções criminosas como organizações terroristas e a castração química para condenados por estupro de crianças, e um plano voltado ao público feminino chamado “Brasil por Elas”, com acesso ampliado à internet e linhas de microcrédito para empreendedoras. O candidato afirmou ainda que, se eleito, trabalhará pela anistia de Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão por golpe de Estado.
