Polícia Civil conclui diligências iniciais em caso que envolve ambulante e vereador de Corumbá
A Polícia Civil concluiu as diligências iniciais relacionadas à ocorrência registrada em 27 de dezembro de 2025 envolvendo o vendedor ambulante identificado como José Elizeu e o empresário e vereador de Corumbá Elio Junior.
O caso foi acompanhado pela Delegacia Regional de Polícia do município e teve origem em um conflito ocorrido em frente ao estabelecimento comercial Verde Fruti.
Conforme apuração policial, na data dos fatos a Polícia Militar foi acionada via 190 para atender à ocorrência no local. Ao chegar, a guarnição encontrou as duas partes em desacordo, sendo o vendedor ambulante e o proprietário do comércio. Foi constatado dano em uma bicicleta e em uma caixa de isopor pertencentes ao ambulante, além de troca de acusações entre os envolvidos. Ambos se deslocaram por meios próprios até a delegacia para registro da ocorrência.
Já no interior da unidade policial, houve tentativa de conciliação espontânea entre as partes, mediada por terceiros civis. Segundo a Polícia Civil, uma liderança religiosa chegou posteriormente ao local e participou das tratativas. Durante esse momento, foi gravado um vídeo de retratação pelo ambulante no pátio externo da delegacia, no qual ele declarou que a divergência entre eles estaria resolvida.
Na noite do dia seguinte, porém, um novo vídeo divulgado nas redes sociais trouxe outra versão dos fatos. Nele, José afirmou que teria sido coagido por um policial civil a gravar a retratação, apagar registros anteriores e desistir da ocorrência. Também alegou que teria recebido dinheiro dentro da delegacia para encerrar o caso.
Diante das acusações, a Delegacia Regional de Polícia adotou providências. A Corregedoria-Geral da Polícia Civil e o Departamento de Polícia do Interior foram comunicados, e foram realizadas oitivas de todas as partes envolvidas, incluindo testemunhas civis, policiais militares e policiais civis que estavam de plantão no dia do ocorrido. Também foram analisadas imagens das câmeras internas e externas da delegacia, além de registros do sistema da unidade e relatórios de plantão.
Conclusões das diligências iniciais
Conforme divulgado nesta quarta-feira (7), pela Polícia Civil, após a análise do material colhido, a instituição informou que nenhuma das testemunhas confirmou a ocorrência de coação, ameaça, entrega de dinheiro por servidor público ou direcionamento indevido por parte de policiais civis. As apurações indicaram ainda que a gravação do vídeo de retratação ocorreu na área externa da delegacia, sem a presença de policiais civis, conforme relatos.
Em relação ao valor mencionado pelo ambulante, que variou entre R$ 100,00 e R$ 200,00, a investigação apurou que a quantia foi entregue a ele, pelo próprio vereador, como forma de reparação pelos danos causados à bicicleta e à caixa de isopor. O próprio empresário confirmou esse repasse em depoimento.

A Polícia Civil apontou ainda contradições nas versões apresentadas por José, inclusive sobre quem teria entregue o dinheiro, onde teria ocorrido a suposta coação e quem teria solicitado a gravação do vídeo. Testemunhas atribuíram a iniciativa da reconciliação à esposa do vereador e à pastora da igreja frequentada pelo ambulante, sem referência à imposição de conduta por servidores públicos.
Desde os fatos, foram instaurados dois procedimentos distintos. Um deles apura possíveis crimes de vias de fato, dano, injúria e ameaça. O outro investiga eventual conduta irregular de servidores públicos no interior da delegacia, em razão das alegações divulgadas nas redes sociais no dia 28 de dezembro de 2025.
A Polícia Civil informou que o procedimento referente à atuação de servidores segue em andamento, com análise de provas digitais e imagens de segurança. Ao final, será elaborado relatório a ser encaminhado ao Departamento de Polícia do Interior e à Corregedoria-Geral para deliberação.
Em nota, a instituição afirmou que a apuração ocorre com seriedade, transparência e respeito à legalidade, destacando que não é admitida qualquer forma de favorecimento ou perseguição e que permanece o compromisso com os direitos fundamentais de todas as partes envolvidas.
