Terremoto na Indonésia deixa pelo menos 47 mortos e provoca destruição
Pelo menos 47 pessoas morreram depois que um terremoto de magnitude 7,7 na escala Richter e dezenas de tremores secundários atingiram a costa leste da Indonésia na manhã de sábado, informou a Agência Nacional de Mitigação de Desastres BNPB.
Equipes de emergência enfrentam dificuldades para chegar à região de Nagekeo, que fica mais próxima do epicentro, porque deslizamentos de terra bloquearam estradas e afetaram comunicações móveis, conforme relatos das autoridades locais.
Ondas de tsunami com menos de 1 metro foram observadas em diversos pontos do arquipélago após o tremor inicial e o alerta foi suspenso cerca de três horas depois pelo serviço de monitoramento.
Dificuldade de acesso e operações de resgate
Em Maumere, principal cidade da regência de Sikka na ilha de Flores, equipes de resgate encontraram 20 mortos, seis feridos e duas pessoas presas sob escombros, informou Fathur Rahman, chefe da agência de resgate da cidade.
Cerca de 2 mil moradores de Nagekeo foram retirados e há relatos de danos em residências, armazéns e prédios governamentais, segundo dados preliminares divulgados pela BNPB.
Relatos locais descrevem partes de edificações que desabaram e ruas tomadas por poeira e destroços enquanto equipes vasculhavam escombros do porto de Maumere procurando sobreviventes.
Uma moradora de Talibura descreveu o susto vivido no momento do abalo e a reação imediata da família. “O terremoto foi enorme, o tremor foi muito forte” O relato foi feito por Nona, de 51 anos, que disse ter corrido com outras pessoas para se salvar.
Outra moradora que buscou segurança em terreno mais alto relatou o receio de retornar às casas até que a situação se estabilize. “No momento, não nos atrevemos a voltar para casa ainda, porque a situação não está estável, ainda temos receio de que possam ocorrer mais tremores” A fala foi registrada por Siti Sulfia Bira, de 37 anos, que mora perto do porto de Maumere.
O governador de Nusa Tenggara Oriental informou em coletiva que pelo menos cinco pessoas morreram quando prédios desabaram durante a madrugada enquanto moradores dormiam.
A agência de resgate local explicou que tentativas de acesso por estrada têm sido frustradas por deslizamentos, e que outra equipe tenta alcançar áreas isoladas por via marítima por meio de balsas.
“Não nos atrevamos a voltar para casa” A frase expressou o temor generalizado entre moradores que preferem permanecer em áreas abertas enquanto prosseguem as buscas e as operações de remoção de escombros.
Danos registrados e contexto geofísico
Levantamento inicial da BNPB apontou 157 casas com danos graves, 41 com danos moderados e 148 com danos leves, além de prejuízos em 87 escolas, 18 unidades de saúde, cinco locais de culto e seis prédios de escritório, entre outras infraestruturas.
A agência geofísica indonésia BMKG registrou o primeiro tremor às 4h58 no horário local a 15 km de profundidade e informou que vários tremores secundários seguiram o evento principal.
“A maioria das pessoas sentiu o choque e saiu correndo de suas casas” A observação foi feita pela BNPB ao relatar a reação da população nas áreas afetadas.
O centro de alerta de tsunamis da Austrália avaliou que o sismo submarino não representa nenhuma ameaça de tsunami para o continente australiano, suas ilhas ou territórios.
A mesma região foi atingida por um forte terremoto em 1992 e a Indonésia, localizada no Anel de Fogo do Pacífico, registra com frequência abalos e atividade vulcânica decorrentes do encontro de placas tectônicas.
O país também guarda na memória o terremoto e o tsunami de 2018, que atingiram Palu na ilha de Sulawesi e deixaram mais de 4 mil mortos, lembrança que reforça a gravidade imediata das operações de resposta.
As autoridades continuam a mapear danos, a buscar pessoas sob escombros e a restaurar comunicações e energia nas áreas afetadas conforme avançam as operações de socorro.

