Jovem morre após peregrinação por atendimento médico em Campo Grande
Exame necroscópico deve esclarecer causa da morte.
O Hospital Regional de Mato Grosso do Sul confirmou a morte de um rapaz de 23 anos na tarde de segunda-feira, após 14 dias de internação. Identificado como David Kauã Vieira Santos Lopes, ele teve morte encefálica registrada poucos minutos depois da realização de uma arteriografia. A família informou às autoridades que o jovem buscou atendimento em duas UPAs de Campo Grande durante cinco dias consecutivos sem receber diagnóstico preciso, sendo efetivamente internado apenas no sexto dia, já em estado grave.
Conforme registrado em boletim de ocorrência, David Kauã começou a se sentir mal após consumir um lanche, inicialmente sendo atendido na UPA Vila Almeida e depois na UPA Santa Mônica, retornando para novos atendimentos enquanto os sintomas se agravavam. O encaminhamento ao Hospital Regional ocorreu somente após múltiplas passagens pelos postos de saúde. Documentos médicos apresentados à polícia detalham que o tratamento foi direcionado para meningite, e exames identificaram a presença da bactéria Streptococcus viridans no líquido que circunda o cérebro e a medula espinhal.
A família do jovem declarou suspeita de intoxicação exógena, hipótese levantada porque os primeiros sintomas apareceram após a refeição, razão pela qual registrou ocorrência na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário como morte decorrente de fato atípico. O laudo policial indica que o exame necroscópico vai focar especialmente na análise do crânio, ouvido e coração para investigar possível fístula cerebral espontânea, situação que pode ter dificultado o êxito do tratamento mesmo com uso dos medicamentos indicados pela cultura bacteriana. Segundo documentação médica, o rapaz não apresentava comorbidades antes do quadro.
O desfecho ocorreu na segunda-feira, no início da tarde, e um exame complementar foi solicitado para esclarecer de maneira objetiva os motivos do agravamento e da morte. Procurada, a Prefeitura de Campo Grande ainda não comentou sobre os atendimentos prévios realizados nas unidades de saúde.


