Denúncia leva MPF a investigar impactos do transporte de minério em Porto Esperança
O Ministério Público Federal abriu investigação para apurar possíveis impactos causados pelo transporte de minério sobre moradores de Porto Esperança, em Corumbá.
De acordo com decisão assinada em 18 de agosto, o MPF vai investigar possíveis impactos ambientais, urbanísticos e de saúde relacionados ao transporte de minério na comunidade. Entre os pontos citados estão a dispersão de poeira, poluição sonora e possíveis efeitos sobre a água utilizada pelos moradores.

A investigação começou após denúncia apresentada ao Ministério Público. Segundo a representação, as casas da comunidade ficam próximas à estrada utilizada pelas carretas que transportam minério de ferro. O documento relata que a poeira teria atingido residências, alimentos e a estrutura usada para tratamento de água.
A denúncia também relaciona a exposição à poeira e ao barulho a problemas respiratórios, irritações nos olhos, sangramentos nasais e problemas de pele entre moradores. Essas informações fazem parte das alegações apresentadas ao MPF e serão objeto da apuração.

Conforme a decisão, o MPF pretende realizar perícias ambientais e de saúde e ouvir moradores da comunidade. A Secretaria Municipal de Saúde de Corumbá também deverá encaminhar dados sobre atendimentos relacionados a problemas respiratórios e dermatológicos registrados entre moradores de Porto Esperança desde dezembro de 2025.
O MPF determinou ainda que sejam apurados possíveis impactos sobre o Rio Paraguai e a rede de abastecimento de água da comunidade.
A decisão cita outros dois procedimentos relacionados às atividades da LHG Mining. Um deles trata de possíveis irregularidades no licenciamento ambiental das atividades de lavra e escoamento. O outro apura possível poluição sonora e atmosférica relacionada ao transporte de minério em Porto Esperança.
LHG Mining
A empresa foi procurada pela Folha MS e questionada sobre as denúncias, as medidas adotadas para controle de poeira e ruído e a investigação aberta pelo MPF.
Por meio de nota a empresa disse que mantém ações voltadas para redução de poeira e que mantém diálogo constante com a comunidade, mas não respondeu aos questionamentos sobre estudos de monitoramento dos impactos ocasionados na região.
Confira a nota na íntegra:
A Lhg Mining adota medidas permanentes para o controle de poeira em suas operações, incluindo a umectação de vias e a implantação de sistema de aspersão fixa na estrada.
A companhia mantém diálogo com a comunidade e atua continuamente no aprimoramento das medidas adotadas.
