De cada R$ 100 que entram nos cofres de MS, R$ 60 vão para gastos com pessoal
De cada R$ 100 que Mato Grosso do Sul arrecadou até o terceiro bimestre de 2026, R$ 60 foram destinados a despesas com pessoal. O percentual coloca o Estado entre os que mais comprometem a própria receita com servidores e encargos e ajuda a explicar por que sobra menos dinheiro para outras áreas do governo.
O dado faz parte do levantamento do Tesouro Nacional sobre as contas dos estados e considera as despesas com pessoal em relação à receita total. Em MS, a proporção chegou a 60% entre janeiro e junho deste ano.

Na prática, isso significa que, antes de o Estado destinar recursos para obras, equipamentos, manutenção dos serviços e outros gastos, uma parcela muito grande do dinheiro arrecadado já está comprometida com a estrutura de pessoal.
O percentual de Mato Grosso do Sul ficou abaixo apenas de Rio Grande do Norte, com 68%, e Paraíba, com 61%. O índice sul-mato-grossense ficou acima de estados vizinhos como Mato Grosso, que comprometeu 52% da receita com pessoal, e Goiás, com 58%.
Quanto sobra depois da folha
Os números do Tesouro mostram que os gastos com pessoal não são a única despesa que disputa espaço dentro do orçamento estadual.
Depois dos 60% destinados ao pessoal, outros 24% da receita foram utilizados para o custeio da máquina pública. Entram nessa conta despesas necessárias para manter os serviços e órgãos funcionando.
Os investimentos representaram 9% da receita total. Já os serviços da dívida ficaram com 3%.
A distribuição ajuda a entender a fotografia das contas estaduais. Somadas, as despesas com pessoal e custeio consumiram 84% da receita total de Mato Grosso do Sul no período.
Restaram, proporcionalmente, 16% para investimentos e pagamento dos serviços da dívida.
O número ganha peso quando colocado ao lado do resultado geral das contas. No terceiro bimestre, as despesas do Estado cresceram 14% em relação ao mesmo período de 2025, enquanto a receita avançou 8%.
Com a despesa crescendo mais rapidamente que a arrecadação, o Estado terminou o período com déficit primário de R$ 460 milhões.
O dado não significa que todo o gasto com pessoal seja irregular ou que os servidores sejam responsáveis pelo déficit. O indicador mostra quanto da receita total está comprometido com essa despesa e o espaço que permanece disponível para as demais obrigações do governo.
Para o caixa estadual, entretanto, o efeito é direto. Quanto maior a parcela da receita comprometida com despesas permanentes, menor tende a ser a margem para aumentar investimentos ou absorver novas despesas sem ampliar a pressão sobre o orçamento.
Os dados fazem parte do RREO em Foco Estados + DF, produzido pela Secretaria do Tesouro Nacional, que reúne as informações fiscais dos governos estaduais e do Distrito Federal.

