Ex-prefeito é alvo da PF em nova fase da Operação Unha e Carne no Rio
A Polícia Federal deflagrou na terça-feira a sexta fase da Operação Unha e Carne, com alvo em dirigentes e agentes públicos suspeitos de integrar organização criminosa que teria usado uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio de Janeiro para lavagem de dinheiro.
Na ação desta terça-feira os agentes cumpriram 19 mandados de busca e apreensão em Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Resende e na capital fluminense, entre eles contra o ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella e o ex-secretário de Polícia Civil delegado Marcus Amim, além de um policial civil e um ex-policial militar.
Determinações judiciais também preveem o sequestro de bens e valores, e a suspensão das atividades econômicas de empresas relacionadas ao grupo investigado, medida que integra o conjunto de providências adotadas pela investigação.
Em decorrência da operação o político da Baixada Fluminense foi encaminhado para prestar depoimento na Superintendência da Polícia Federal no Centro do Rio de Janeiro, procedimento realizado como parte das diligências em curso.
Um relatório de inteligência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras encaminhado à Polícia Federal apontou que a estrutura investigada teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos.
“Além do crime de organização criminosa, os investigados poderão responder por contratação direta ilegal e lavagem de dinheiro, além de outros que poderão surgir no decorrer das investigações”
Durante as buscas os policiais apreenderam na residência de um dos alvos, no bairro de Camboinhas em Niterói, cinco revólveres, um fuzil, munição, relógios, joias, numerário em real, dólar, libra e euro, além de quatro veículos de luxo. Na casa de outro investigado, em Piratininga, também em Niterói, foram apreendidos dois carros de alto padrão.
A operação integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, iniciativa coordenada pela Polícia Federal com o objetivo de desarticular organizações criminosas que atuam no estado do Rio de Janeiro, em conformidade com as diretrizes estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal na ADPF 635.
A Secretaria de Estado de Polícia Civil do Rio de Janeiro comunicou que a Corregedoria-Geral da corporação instaurou investigação disciplinar para apurar os fatos relacionados a seus integrantes.
“A Polícia Civil acompanha o caso de perto e reafirma que não compactua com eventuais desvios de conduta. A instituição mantém mecanismos de controle interno, voltados à apuração de irregularidades e colabora com os demais órgãos sempre que necessário”
A mesma nota ressaltou a orientação institucional sobre conduta e prestação de serviços, apresentando o posicionamento oficial da corporação diante das diligências em andamento.
“O compromisso da corporação é com a legalidade, a transparência e a correta prestação do serviço público à sociedade”
Márcio Canella ocupou mandatos como vereador, deputado estadual e foi prefeito de Belford Roxo entre 2025 e 2026, tendo deixado o cargo em abril deste ano para participar da disputa eleitoral. Agências de reportagem não conseguiram contato com as defesas dos alvos da operação.

