Adélio Bispo fica em silêncio e se recusa a responder avaliação mental na prisão em Campo Grande
O silêncio de Adélio Bispo, autor da facada contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), durante uma nova avaliação de saúde mental na Penitenciária Federal de Campo Grande, em 11 de junho, deixou especialistas sem respostas diretas. Mesmo concordando em receber a equipe multiprofissional, ele permaneceu calado e agitado, o que não impediu os profissionais de registrar suas observações sobre o quadro clínico.
Nas anotações, uma psicóloga apontou psicose afetiva, caracterizada por alterações que podem incluir perda de contato com a realidade, delírios ou alucinações. Já um enfermeiro e outra psicóloga classificaram o caso como esquizofrenia e outras psicoses orgânicas, enquanto uma assistente social relatou esquizofrenia e um comportamento inédito nos registros anteriores.
O diagnóstico de Adélio, que já foi de esquizofrenia paranoide, mudou desde o ataque contra Bolsonaro. Inicialmente tratado como transtorno delirante persistente do tipo paranoide, peritos identificaram, sete anos depois, uma deterioração do quadro, conforme laudo elaborado no início deste ano. Os profissionais descreveram grave comprometimento do contato com a realidade, alucinações frequentes e prejuízo funcional significativo, além de o detento não reconhecer a própria doença nem compreender a necessidade de tratamento.
Com a recusa em responder às perguntas, a equipe reforçou a necessidade de atualizar a avaliação biopsicossocial, que serve para identificar necessidades de tratamento e revisar o Projeto Terapêutico Singular, um plano individual de acompanhamento. Adélio, considerado inimputável pela Justiça, cumpre medida de segurança em vez de pena de prisão, sem previsão atual de liberdade.

