Chuva não interrompe Marcha para Jesus, mas fieis se dividem sobre participação política no ato em Campo Grande

Fiéis caminham sob chuva na Marcha para Jesus em Campo Grande

Milhares de fiéis enfrentaram a chuva intensa para participar da Marcha para Jesus em Campo Grande, realizada quarta-feira (26), durante o aniversário de 127 anos da cidade. O evento, que começou na Praça do Rádio Clube e seguiu até o Parque das Nações Indígenas, também foi palco de divergências sobre a presença de políticos e candidatos.

Nas primeiras horas, cerca de 150 pessoas estavam na praça, muitas protegidas por capas e guarda-chuvas, enquanto outras permaneciam expostas à água diante do palco. Para os participantes, a chuva era vista como uma bênção. “É uma chuva que lava a alma e os pecados”, disse uma fiel. Conforme o tempo abriu, o público aumentou e a praça ficou próxima da lotação, com apresentações musicais animando os presentes.

A caminhada em direção ao parque reuniu um grupo numeroso, mesmo com algumas desistências por causa do tempo. Dois trios elétricos conduziram os fiéis, e as atrações nacionais John Dias e Maria Marçal se apresentaram no palco principal.

Política divide opiniões entre os fiéis

A presença da prefeita Adriane Lopes, do marido e candidato a deputado estadual Lídio Lopes, e do candidato a deputado federal Jaime Verruck gerou reações mistas. Para a dona de casa Marta Batista, a marcha deveria ser exclusivamente religiosa. “É preciso deixar a política de lado e aproveitar esse momento para glorificar a Deus”, afirmou. Já a vendedora Ana Paula Afonso adotou um tom mais conciliador. “Os políticos também ajudam para que esse tipo de evento aconteça”, ponderou.

A estudante Jéssica Bravelocce destacou o caráter profético da caminhada. “Quando caminhamos, estamos fazendo um ato profético por meio dos nossos passos e das nossas orações”, declarou.

Entre os relatos, o mais emocionante foi o de Raquel, de 29 anos. A estudante de Pedagogia contou que enfrentava uma crise emocional e pensava em tirar a própria vida antes de sair de casa. Durante a programação, disse ter encontrado acolhimento na fé. Raquel também superou uma infância marcada pela violência do pai e as dificuldades de um tratamento contra tuberculose, que a afastou dos estudos. “Mas eu creio que vai dar tudo certo na minha vida”, resumiu.

A estrutura do evento contou com ambulâncias, brigadistas, Defesa Civil, banheiros químicos e cerca de 300 voluntários, que auxiliaram no controle de acessos e na proteção das áreas reservadas, sem substituir o trabalho policial.

Os shows no Parque das Nações Indígenas seguiram até por volta das 21h, encerrando a celebração que uniu fé e resistência na capital sul-mato-grossense.

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