Tarifa imposta pelos EUA a mercadorias brasileiras pode afetar etanol de milho em Mato Grosso do Sul
Medida anunciada pelos Estados Unidos aplica tarifa de 25% a produtos brasileiros e pode atingir etanol de milho produzido em Mato Grosso do Sul com prazos até 15 de julho
Os Estados Unidos anunciaram na segunda-feira 1º uma tarifa de 25% sobre mercadorias brasileiras, decisão que pode impactar o mercado em expansão de etanol de milho em Mato Grosso do Sul.
O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos concluiu em investigação que o governo brasileiro adota práticas ‘irrazoáveis’ que ‘oneram ou restringem’ o comércio norte-americano e apontou a diferença de tratamentos tarifários entre os dois países.
A Fecombustíveis informou que o Brasil passou a taxar em 18% o etanol importado dos Estados Unidos enquanto o etanol brasileiro chegava ao mercado norte-americano com tarifa de 2,5%, e que o impasse esteve na agenda do encontro entre Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva em 7 de maio.
Após a visita foi criado um grupo de trabalho bilateral para buscar um consenso, mas antes das sanções valerem na prática há prazos processuais que vão até 15 de julho quando medidas corretivas poderão começar a ser aplicadas contra o Brasil.
Mato Grosso do Sul tem ampliado capacidade produtiva nos últimos meses com anúncios de duas novas usinas de processamento de milho. Em maio a Atvos lançou a primeira unidade para processar grãos na ampliação da Usina Santa Luzia em Nova Alvorada do Sul, prevista para ficar pronta até 2028. Em março iniciou a instalação de uma usina em Jaraguari a 55 km de Campo Grande com investimento de R$ 300 milhões capacidade de processamento de 500 toneladas por dia e produção de até 200 mil metros cúbicos de etanol por ano.
O estado ainda abriga duas grandes unidades da Inpasa em Dourados e Sidrolândia e instalações da Neomille da CerradinhoBio em Maracaju e Chapadão do Sul. A produção inclui coprodutos para nutrição animal a partir do milho como DDGS que também é fabricado em larga escala pelos Estados Unidos.
Patrícia Arantes diretora-executiva da Sociedade Rural Brasileira publicou um artigo na Fecombustíveis apontando que a expansão das usinas em estados como Mato Grosso do Sul amplia a capacidade de exportação nacional e pode estar no centro da disputa tarifária.
“Nos tornamos o principal competidor dos Estados Unidos, o que gera dificuldades comerciais”
Antes da aplicação efetiva das sanções há prazos processuais que se estendem até 15 de julho.

