Cinema leva memória e cidadania a comunidade quilombola em Campo Grande
Na quinta-feira, 14 de maio de 2026, às 19h40, o Rota Cine MS – Povos Tradicionais promove sessão no Centro Comunitário da Comunidade Quilombola Tia Eva, em Campo Grande, com a exibição dos curtas As Marias e Toada – Para Recolher os Rastros no Céu.
A ação é articulada pela Secretaria de Estado da Cidadania por meio da Subsecretaria de Políticas Públicas para Promoção da Igualdade Racial e da Subsecretaria de Políticas Públicas para Pessoas Idosas, em parceria com a Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, o Instituto Curumins e o Governo Federal.
O projeto tem estrutura itinerante e propõe democratizar o acesso à produção audiovisual, ocupando simbolicamente territórios muitas vezes fora dos circuitos culturais tradicionais e aproximando proposta cultural de populações quilombolas, indígenas, povos de matriz africana, comunidades ciganas e outros grupos tradicionais.
As Marias reconstrói a trajetória das trigêmeas Maria Etelvina, Maria Leonor e Maria Salvadora, cujo nascimento em 1947 se tornou marco de curiosidade popular e mobilização de autoridades no então estado do Mato Grosso. Toada – Para Recolher os Rastros no Céu investe em dramaturgia sensorial inspirada no conto O Santo que Não Tinha os Pés, de Reginaldo Albuquerque, e acompanha a jornada de um vaqueiro atravessado por uma experiência inexplicável em busca de um sentido ou milagre.
Deividson Silva, subsecretário de Políticas Públicas para Promoção da Igualdade Racial, explica que o projeto nasceu a partir da escuta das próprias comunidades tradicionais. “O Rota Cine MS – Povos Tradicionais surge de uma provocação feita por uma comunidade quilombola aqui de Campo Grande, que buscava alternativas de lazer, convivência e acesso à cultura, especialmente para as pessoas idosas. Muitas vezes, essas populações estão em territórios mais afastados e com acesso restrito a equipamentos culturais. Então, o projeto nasce justamente para responder a essa necessidade”
Larissa Paraguassu, subsecretária de Políticas Públicas para Pessoas Idosas, ressalta a importância desse público como guardião de saberes e memórias comunitárias. “Nesses territórios, a população idosa ocupa um lugar fundamental na preservação da cultura, da história e das tradições comunitárias. Quando o cinema chega de forma itinerante, ele cria espaços de convivência, pertencimento e troca entre gerações”
Edu Mendes, diretor-presidente da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, relaciona a iniciativa à articulação entre políticas públicas que ampliam o alcance cultural do Estado. “Quando diferentes áreas do Governo trabalham de forma integrada, conseguimos levar cultura, cidadania e pertencimento para dentro dos territórios. Essa transversalidade entre cultura, igualdade racial e políticas para pessoas idosas faz com que o acesso cultural alcance populações que muitas vezes estão distantes dos grandes equipamentos culturais. O Estado chega até essas pessoas reconhecendo seus territórios, suas histórias e suas identidades”
Próximas sessões
Após a exibição na Comunidade Tia Eva, o roteiro do Rota Cine MS – Povos Tradicionais prevê sequência de sessões ao longo de maio. Em quinta-feira 21 de maio de 2026, às 19h30, a programação chega à Comunidade Quilombola São João Batista com As Marias e Curupira, o Herói da Mata.
No dia 22 de maio de 2026, às 18h, a Associação da Comunidade Negra Rural Quilombola Chácara Buriti recebe As Marias e Curupira, o Herói da Mata no Salão do Janilson. Haverá também atividade institucional na sede da Secretaria de Estado da Cidadania ao longo da programação do projeto.

