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Investigação sobre bloqueios de estradas leva Justiça da Bolívia a determinar prisão de Evo Morales

prisão de Evo Morales
Evo Morales seguiu em avião da Força Aérea Mexicana para o asilo político concedido pelo país / Foto: Reuters

A investigação aberta sobre os bloqueios de estradas que afetaram a Bolívia por 53 dias ganhou um novo desdobramento nesta quarta-feira (29), com a expedição de um mandado de prisão contra o ex-presidente Juan Evo Morales Ayma. A decisão do Ministério Público boliviano determina que ele seja detido e encaminhado à Unidade Especializada de Polícia de Combate à Corrupção, no âmbito de um processo que apura a organização das manifestações realizadas entre maio e junho deste ano.

Morales é alvo de uma investigação que reúne acusações de levante armado contra a segurança e a soberania do Estado, terrorismo, ataques contra a segurança dos transportes, associação criminosa, incitação pública ao crime e ataques contra a segurança dos serviços públicos. A ordem de prisão faz referência aos dispositivos do Código Penal da Bolívia relacionados a esses crimes.

A apuração teve origem em uma denúncia apresentada pelo Comitê Pró-Santa Cruz, representado por seu presidente, Stello Cochamanidis Garcés. Posteriormente, o Ministério do Governo, por meio do ministro Marco Antonio Oviedo Huerta, formalizou uma segunda denúncia, que passou a integrar a mesma investigação.

Denúncias apontam liderança nos bloqueios

O Comitê Pró-Santa Cruz protocolou, em 1º de julho, uma denúncia criminal contra Evo Morales, o secretário-executivo da Central Operária Boliviana (COB), Mario Argollo, e o dirigente da Federação Camponesa Túpac Katari, Vicente Salazar.

Segundo a entidade, os três teriam sido os principais responsáveis por incentivar os bloqueios que atingiram diferentes regiões bolivianas durante quase dois meses. Na ocasião, a equipe jurídica do Comitê informou que o pedido era respaldado por seis solicitações formais encaminhadas ao Ministério Público para acelerar a investigação e a emissão de mandados de prisão.

Os dirigentes civis sustentam que Morales incentivou as mobilizações contra o governo do presidente Rodrigo Paz e defendeu sua renúncia. Já Mario Argollo e Vicente Salazar teriam coordenado outros grupos envolvidos nas manifestações e nas interdições das rodovias.

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Impactos atingiram transporte e setor produtivo

Os protestos concentraram os maiores impactos nos departamentos de La Paz e Cochabamba. Em Santa Cruz, bloqueios em regiões como San Julián, Guarayos e San Germán comprometeram o escoamento da produção e dificultaram o transporte de mercadorias entre os departamentos.

Mesmo quando produtores conseguiam retirar a produção das áreas afetadas, a circulação para outras regiões do país permanecia comprometida pelas interdições nas estradas.

Durante o período mais crítico das manifestações, a Bolívia registrou mais de 100 bloqueios simultâneos. Também houve relatos de confrontos, escassez de alimentos e outros mantimentos, falta de suprimentos, agitação social e novos protestos em diferentes regiões.

De acordo com o Comitê Pró-Santa Cruz, os bloqueios provocaram a morte de 22 pessoas e causaram prejuízos de milhões de dólares, além de impactos expressivos sobre diversos setores produtivos do país.

Defesa de Morales

Evo Morales nega ter incentivado seus apoiadores a exigir a renúncia de Rodrigo Paz e afirma que as mobilizações buscavam pressionar o governo a responder às reivindicações dos setores envolvidos nos protestos.

Ainda assim, em 24 de maio, o ex-presidente publicou na rede social X que o mandatário tinha apenas “dois caminhos” diante da crise: “militarizar” o país ou convocar eleições nos 90 dias seguintes.

Morales também responde a outro processo e é alvo de um mandado de prisão por supostamente ter mantido relações com uma menor de idade.

Até o momento, a única pessoa presa na investigação sobre os bloqueios é Vicente Salazar. A apuração conduzida pelo Ministério Público segue em andamento.

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