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Mineração amplia impactos ambientais e urbanos com poeira e pressão sobre o Pantanal em Corumbá

Moradores de Corumbá e Ladário denunciam nuvem de poeira de mineradoras em Corumbá. Poeira afeta saúde, meio ambiente e qualidade de vida. Saiba mais!
Moradora mostra situação da casa com a invasão da poeira de minério de ferro onde mora
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Moradores de regiões urbanas e rurais de Corumbá convivem com poeira de minério e apontam impactos ambientais e de saúde associados ao avanço da atividade mineradora.

Em localidades como Antônio Maria Coelho e Porto Esperança, o transporte diário de minério mantém uma camada constante de pó sobre casas, plantações e reservatórios de água. A circulação de caminhões em rotas próximas às comunidades intensifica o problema e amplia os efeitos sobre o entorno.

impactos ambientais
Moradora mostra situação da casa com a invasão da poeira de minério de ferro onde mora

A presidente da Associação de Moradores de Porto Esperança descreveu a situação. “Eu moro próximo às atividades da empresa LHG e todos os dias minha comunidade sofre com a poeira de minério que ela espalha. Essa poeira cobre nossas casas, roupas, plantações e até chega dentro da água que usamos.

Além da sujeira, ela prejudica a saúde: causa tosse, irritação nos olhos e dificuldade de respirar, afetando principalmente crianças e idosos. A natureza também sofre, com plantas e animais cada vez mais enfraquecidos, e até o rio sendo contaminado.
A qualidade de vida da nossa comunidade está sendo destruída. Exigimos que a empresa LHG seja fiscalizada e que medidas sejam tomadas.”

Moradores relatam que carretas trafegam em comboio levantando nuvem de poeira que invade as casas, plantações e até as caixas d’água

Os relatos incluem aumento de problemas respiratórios, redução da visibilidade nas estradas e risco para quem trafega a pé ou de bicicleta. Moradores afirmam que caminhões passam em sequência, levantando poeira que invade imóveis e compromete até o consumo de água.

Medidas de contenção, como a aspersão de água nas vias, são consideradas insuficientes ou irregulares pelos moradores.

Pressão ambiental em área sensível

Além dos efeitos diretos nas comunidades, a atividade mineradora avança sobre uma região considerada estratégica do Pantanal sul-mato-grossense. Pesquisadores alertam para impactos sobre habitats naturais e espécies ameaçadas.

Estudos recentes apontam preocupação com áreas onde foi identificado ninho de harpia, uma das aves mais raras do continente. A presença da espécie em zonas próximas à atividade mineral reforça o alerta sobre risco de degradação ambiental em larga escala.

Moradores também relatam enfraquecimento da vegetação e alterações em cursos d’água utilizados para abastecimento local, o que amplia o alcance dos impactos além do perímetro urbano.

O histórico ambiental da região reforça a preocupação. No Maciço do Urucum, a exploração mineral já foi associada ao rebaixamento do lençol freático e ao desaparecimento do Córrego Urucum, que deixou de abastecer áreas vizinhas após alterações provocadas pela atividade extrativa.

Custo urbano sem compensação

O crescimento da mineração intensifica a pressão sobre a infraestrutura urbana e rural. O tráfego constante de veículos pesados acelera o desgaste de vias e exige manutenção contínua.

Mineração em expansão na região de Corumbá

Segundo a secretária municipal de Planejamento, Receita e Administração, Camila de Campos Carvalho, o município não consegue responder na mesma proporção. “O município não está recebendo o retorno financeiro necessário para investir em infraestrutura, saúde e educação, que são justamente essas áreas atendidas pelos recursos da CFEM”.

A atividade mantém cerca de 2 mil empregos, mas parte da mão de obra vem de fora e não fixa residência em Corumbá, o que reduz o impacto econômico local.

Cidade convive com poeira e rejeito de minério deixado pela passagem de caminhões na área urbana

O cenário combina expansão produtiva, pressão ambiental e retorno limitado para o município. Enquanto a mineração amplia sua escala na região, comunidades seguem expostas à poeira, ao desgaste urbano e a riscos ambientais em uma das áreas mais sensíveis do Pantanal.

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