Brasil deve enfrentar até seis ondas de calor até dezembro, aponta Cemaden

Brasil deve enfrentar até seis ondas de calor até dezembro, aponta Cemaden

Pelo menos seis ondas de calor devem atingir o Brasil entre setembro e dezembro, segundo estimativas do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). O número é uma média baseada em 47 anos de dados, mas a frequência pode ser ainda maior, dependendo da intensificação do El Niño. No último episódio forte do fenômeno, o país registrou nove ondas em um único ano, com dias de calor extremo.

O calor não será um problema isolado. A análise aponta que as ondas estão se tornando mais frequentes e abrangentes, atingindo o país inteiro ao mesmo tempo, nas décadas de 1980 e 1990, os episódios eram raros e concentrados em regiões como o Nordeste. A partir de 2010, e mais claramente após 2020, o cenário mudou: as ondas de calor passaram a cobrir áreas maiores, com impacto simultâneo em todo o território nacional.

O gatilho para esses eventos é a formação de áreas de alta pressão que permanecem paradas sobre uma região, bloqueando nuvens e chuva. No entanto, a pesquisadora Mabel Calim Costa, do Cemaden, explica que o que mudou não é o mecanismo em si, mas a temperatura de base, ja que, com o planeta mais quente, cada episódio gera picos de calor mais intensos do que nas décadas anteriores. “As mudanças climáticas estão avançando e o mundo está mais quente. Isso reflete na intensidade das ondas e podemos ver um cenário ainda mais forte este ano”, afirma.

Calor intenso já em setembro

As previsões para setembro indicam temperaturas até 3°C acima da média em quase todo o país, com mapas de alerta em laranja ou vermelho. O meteorologista Marcelo Seluchi, especialista em Ciências Meteorológicas, prevê que os primeiros sinais do El Niño comecem a aparecer já neste mês. “A temperatura dos oceanos estão batendo recordes e as previsões indicam que vão continuar aumentando”, observa.

Os efeitos do calor vão além do desconforto. O fenômeno intensifica a seca, reduz a umidade do solo e agrava a estiagem. Dados do Índice Integrado de Seca, do Cemaden, mostram que 157 cidades já estão em seca severa, com a maioria dos casos no Norte e Nordeste. Tocantins lidera com 50 municípios nessa situação, seguido pela Bahia, com 18. A pesquisadora Ana Paula Cunha, especialista em secas, destaca: “As regiões mais afetadas vão ser o Norte e o Nordeste, já estamos vendo isso com registros de chuva inferior ao esperado nessas regiões”.

O calor também aumenta o risco de incêndios. Um levantamento do CPTEC/INPE, Inmet e Funceme aponta que 560 municípios estão em alerta alto para fogo, abrangendo mais de 35% do território nacional. A área mais vulnerável fica entre a Amazônia e o Pantanal. Para responder à emergência, o governo federal criou um gabinete de crise em maio, com a mobilização de mais de 4,6 mil brigadistas em todo o país.

Os impactos econômicos também são preocupantes. Estudo do Cemaden indica que os preços dos alimentos podem subir até 19,9% em caso de El Niño forte, especialmente itens in natura, como carnes e hortaliças. A alimentação no domicílio pode avançar 6,32% nos seis meses seguintes aos choques climáticos.

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