Brasil e Bolívia articulam cooperação contra incêndios florestais na fronteira

Brasil e Bolívia articulam cooperação contra incêndios florestais na fronteira

Encontro em Corumbá reúne instituições dos dois países para alinhar estratégias de prevenção e resposta ao fogo no Pantanal e no Chaco boliviano

Representantes de órgãos do Brasil e da Bolívia se reuniram no Instituto Homem Pantaneiro (IHP), em Corumbá (MS), para discutir a criação de uma agenda permanente de cooperação no combate a incêndios florestais na região de fronteira. O encontro, realizado no dia 28 de julho, contou com a participação de instituições como a Subgovernación da Província German Busch, a Armada Boliviana, o Prevfogo/Ibama, a Marinha do Brasil, o Corpo de Bombeiros de Mato Grosso do Sul, a Polícia Militar Ambiental (PMA) e a Prefeitura de Corumbá, por meio da Fundação de Meio Ambiente do Pantanal e da Defesa Civil.

Durante a reunião, as autoridades compartilharam experiências operacionais e debateram formas de atuação conjunta que abrangem os municípios de Corumbá e Ladário, no lado brasileiro, e Puerto Quijarro e Puerto Suárez, no lado boliviano. A integração de esforços é vista como essencial para a proteção da biodiversidade no Pantanal e no Chaco boliviano, já que o fogo não respeita limites geográficos. O uso do Sistema Pantera, plataforma mantida pelo IHP com torres de monitoramento equipadas com câmeras de alta resolução e cobertura de 360 graus, foi apresentado às autoridades bolivianas. O sistema cobre uma área de mais de 1 milhão de hectares em Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Bolívia, permitindo a detecção precoce de focos de fumaça na Serra do Amolar, região de fronteira.

O subgovernador da Província German Busch, Luis Delgadillo Salazar, destacou a importância da união de esforços. “A gestão de incêndios florestais e a proteção ambiental não reconhecem limites geográficos. Este primeiro encontro binacional reafirma o compromisso da nossa província em trabalhar lado a lado com as instituições brasileiras. Ao unirmos tecnologia, planejamento e capacidade operativa, fortalecemos nossa capacidade de resposta para proteger nossa biodiversidade e a saúde da população de fronteira. O resultado desse encontro representa avançarmos em uma agenda permanente de cooperação. O intuito é termos novas reuniões, nas próximas semanas, para buscar consolidar protocolos de forma institucional e oficial, assim fortalecer a coordenação entre os organismos responsáveis pela proteção ambiental na região fronteiriça”, afirmou.

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O presidente do IHP, Ângelo Rabelo, ressaltou que as ações conjuntas potencializam a prevenção. “No Brasil, temos um trabalho coordenado que envolve a importante atuação do Prevfogo/Ibama, dos Bombeiros de Mato Grosso do Sul, a Marinha do Brasil é uma parceira estratégica na logística e em outros apoios, da mesma forma que isso já ocorre com a Prefeitura de Corumbá, por meio de órgãos como a Defesa Civil e a Fundação de Meio Ambiente, e a PMA. Na Bolívia, a Armada Boliviana tem ficado à frente de várias ações no combate ao fogo e treinamento de pessoal. Estar alinhado também com a Província German Busch representa um avanço para termos esforços ampliados para proteger o Pantanal”, declarou.

Como resultado do encontro, ficou acordada a criação de uma agenda permanente de trabalho transfronteiriço. O próximo passo é a articulação interinstitucional para a elaboração de protocolos de atuação que melhorem o tempo de resposta e a troca de informações em tempo real sobre riscos de incidentes ambientais. Essas medidas devem encontrar respaldo em negociações em nível federal entre os dois países, que também envolvem outras regiões de fronteira.

Além disso, a Armada Boliviana já promove um intercâmbio técnico e cultural com o IHP, o Prevfogo/Ibama e o Corpo de Bombeiros. Nos últimos três meses, mais de 60 oficiais e sargentos da instituição boliviana participaram de capacitações no escritório do IHP. As equipes bolivianas também apresentaram técnicas e equipamentos de combate montados em Puerto Quijarro. O comandante do 5º Distrito Naval em Puerto Quijarro, capitão de navio Cadmiel Mounzon Teran, defendeu a cooperação. “Temos o comprometimento de atuar na proteção da natureza e na segurança das pessoas. Há uma importância fundamental nessa troca de conhecimento e aperfeiçoamento dos militares da Armada Boliviana. Podermos ter alinhamento para somar forças é essencial e o fogo não conhece fronteiras”, disse.

O encontro ocorre em um contexto de alerta. O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) prevê, para o segundo semestre de 2026, um El Niño de intensidade moderada a forte, com ondas de calor mais frequentes e baixa umidade na região central do Brasil, aumentando o risco de incêndios no Pantanal. Dados do sistema Firms mostram que, nos últimos sete dias, os focos de calor na Bolívia foram mais intensos que no Brasil, especialmente nas fronteiras com Mato Grosso e Rondônia. Mais de 5 milhões de hectares já foram afetados na Bolívia, a distâncias de até 200 km da faixa de fronteira com o Brasil.

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