MS Supera é ampliado e já beneficia 158 estudantes indígenas com bolsa mensal
O programa MS Supera, mantido pelo Governo do Estado por meio da Secretaria de Estado de Assistência Social e dos Direitos Humanos, será ampliado neste ano para atender 2.500 alunos, número recorde, e já tem 600 vagas em processo de preenchimento além de cadastro de reserva. O processo seletivo registrou 6.094 inscrições e habilitou 1.491 candidatos.
Atualmente 158 estudantes indígenas recebem mensalmente R$ 1.621 para prosseguir na formação; desse total, 155 cursam ensino superior e três realizam cursos técnicos. O valor e a destinação incluem alunos indígenas e não indígenas e integram a estratégia do estado para ampliar oportunidades educacionais em Mato Grosso do Sul.
Para integrar o programa o estudante deve ter renda individual de até 1,5 salário mínimo quando mora sozinho, ou renda familiar total de até 3 salários mínimos, deve estar aprovado ou matriculado em curso técnico ou de nível superior, presencial ou na modalidade a distância autorizada pelo MEC, e estudar em instituição que possua polo no estado. O beneficiário não pode ter curso superior concluído, precisa morar em Mato Grosso do Sul há mais de dois anos, estar inscrito no CadÚnico, não receber outro benefício semelhante, não ter mais de quatro reprovações no curso e não ter outro familiar já beneficiário do MS Supera.
Mãe solteira e com 38 anos, a indígena Ana Vanessa Neres mora em Anastácio e faz Geografia licenciatura em Aquidauana no campus II da UFMS. Com a bolsa comprou um notebook e passou a arcar com despesas de deslocamento e da casa, o que permitiu conciliar trabalho e estudo.
“Para mim, o MS Supera é tudo! O MS Supera é como se fosse o meu marido. Ele me sustenta. Sem ele, não conseguiria estudar, apenas trabalhar. Casei com ele, com o MS Supera (risos). Eu tenho uma estabilidade com ele” conta Ana Vanessa Neres.
Ela detalha a rotina dupla entre estudos e empregos temporários, e afirma que a bolsa evita faltas nas atividades acadêmicas por necessidade de trabalho.
“Fico com a minha cabeça sossegada, para focar no estudo, porque eu sei que todo mês tá ali; tenho dinheiro pra pagar minhas contas e tenho foco total no estudo. Tem gente que falta às aulas de campo porque tem que trabalhar. Eu não. Trabalho de diarista, trabalho de noite em serviço de garçom, festa de casamento, faço cerimonial, mas quando é pra estudar, eu estudo. Tenho essa tranquilidade” relata Ana Vanessa.
Ana Vanessa é kinikinau, embora seu registro conste como Terena, situação que ela atribui ao período em que sua família foi registrada em outras etnias por falta de aldeias Kinikinau. Estima-se que cerca de 600 Kinikinau vivam hoje entre territórios Kadiweu e Terena.
“Sou kinikinau, só que na época a minha mãe não fez o registro Kinikinau. Só a minha avó tem. E quando a minha avó fez aqui o cacique a colocou como Terena, mas nosso sangue é KiniKinau. Aí foram nos registrando como Terena. Quando fui registrar o meu já não quiseram mudar. Eu fiquei como Terena. Meu professor falou para eu ir atrás, mas é muito complicado. Eu queria muito ter Kinikinau no meu registro, mas não foi possível, por esse detalhe. Sou Kinikinau registrada como Terena” explica Ana Vanessa.
Segundo relatos da estudante, a opção da família por se deslocar de Bonito para Anastácio teve como objetivo facilitar o acesso à educação, resultado que hoje se reflete em membros da família com formação superior. Um irmão é engenheiro civil e mora em Campo Grande, e primas são enfermeira e pedagoga, exemplos que influenciam as novas gerações.
O Governo do Estado segue com a seleção do MS Supera para preencher as vagas abertas e formar cadastro de reserva, mantendo o foco em ampliar o alcance das bolsas entre públicos indígenas e não indígenas em Mato Grosso do Sul.

