Curso de hidráulica é oferecido a reeducandos em Campo Grande

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O curso de hidráulica teve aula inaugural na sexta-feira 13 no Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho e vai capacitar 140 custodiados em unidades de Campo Grande. A formação integra o Programa Mãos e Obras, iniciativa da concessionária Águas Guariroba em parceria com o Governo do Estado, Agepen e a Faculdade Senai de Construção. Com 40 horas de carga horária, a qualificação permitirá reparos hidráulicos nas próprias unidades, redução da necessidade de serviços terceirizados e tende a gerar economia estimada em R$ 200 mil.

A concessionária doou equipamentos hidráulicos, uniformes e itens de segurança em investimento estimado em R$ 160 mil e forneceu o material utilizado no curso. A Faculdade Senai de Construção será responsável pela formação técnica e pela certificação profissional que amplia as chances de inserção no mercado de trabalho. A cada 12 horas de estudo haverá remição de um dia no total a ser cumprido da pena.

Unidades contempladas

A formação ocorrerá em sete unidades prisionais da capital que, somadas, concentram cerca de 6.150 custodiados. As unidades são Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho, Instituto Penal de Campo Grande, Centro de Triagem “Anísio Lima”, Presídio de Trânsito, Centro Penal Agroindustrial da Gameleira e as penitenciárias da Gameleira I e II.

Rodrigo Rossi Maiorchini, diretor-presidente da Agepen, relacionou a oferta de qualificação com oportunidades de mudança de vida e com ganhos na administração pública. “Quando oferecemos qualificação profissional dentro do sistema prisional, estamos criando oportunidades reais de mudança de vida. O aprendizado adquirido aqui contribui diretamente para a ressocialização e também traz benefícios para a administração pública, já que esses reeducandos poderão atuar em reparos nas unidades, gerando economia ao Estado”. A avaliação da direção da Agepen é a de que educação e trabalho no sistema prisional fortalecem a segurança pública e a gestão eficiente dos recursos.

Rafael Garcia Ribeiro, secretário-executivo de Justiça, destacou a cooperação entre setor público e privado como geradora de transformação social. “A qualificação profissional dentro do sistema prisional é uma ferramenta importante para preparar essas pessoas para o retorno à sociedade. Ao mesmo tempo, o projeto contribui para melhorias nas próprias unidades, unindo ressocialização e eficiência administrativa”. O secretário-executivo reforçou o caráter simbiótico entre ressocialização e melhoria estrutural nas unidades.

Gabriel Buim, diretor-presidente da Águas Guariroba, explicou as metas de responsabilidade social e sustentabilidade associadas ao projeto. “Além da capacitação, estamos realizando a doação de materiais, uniformes e equipamentos de segurança. A ideia é que os participantes possam aplicar esse conhecimento nas unidades prisionais e, quando retornarem à sociedade, tenham uma profissão que possibilite um novo começo”. A concessionária também busca incentivar o uso consciente da água entre os participantes.

Plínio Gratão, gerente de gestão da instituição responsável pela formação, ressaltou o impacto do certificado na busca por oportunidades profissionais. “Com o certificado do Senai, os participantes terão condições de buscar oportunidades no mercado de trabalho. O projeto une qualificação, sustentabilidade e economia, beneficiando tanto os custodiados quanto o Estado e a sociedade”. A certificação amplia possibilidades de reinserção após o cumprimento da pena.

Alisson Souza da Silva, interno da Máxima, descreveu a capacitação como um caminho para sustento familiar e ocupação produtiva dentro do presídio. “É uma boa profissão para quando eu sair daqui e poder dar um sustento digno aos meus filhos”. A participação no curso também contribui para a ocupação do tempo e para a remissão da pena conforme as horas dedicadas ao estudo.

A iniciativa integra um plano mais amplo da Agepen para 2026 que prevê capacitar cerca de 2.000 reeducandos em áreas como marcenaria, serralheria e construção civil, entre outras. Para a direção da Agepen, investir em qualificação técnica no sistema prisional equivale a investir em segurança pública, cidadania e eficiência na gestão dos recursos públicos.

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