Mato Grosso do Sul tem 3ª maior taxa de feminicídio do país
O estado se posiciona entre os mais críticos do Brasil, registrando aumento nos casos e falhas na proteção de mulheres
Mato Grosso do Sul figura como o terceiro estado com a maior taxa de feminicídio no Brasil, com 2,7 assassinatos a cada 100 mil mulheres, ficando atrás apenas do Acre e de Rondônia. Entre 2021 e 2025, 181 mulheres foram vítimas desses crimes no estado, com o ano de 2022 registrando o maior número de ocorrências, com 44 casos. O levantamento destaca que, ao longo de toda a série histórica analisada, Mato Grosso do Sul permaneceu consistentemente entre os cinco estados com as maiores taxas anuais de feminicídio.
Os registros de feminicídio em Mato Grosso do Sul aumentaram mais de 14% nos últimos cinco anos. Somente em 2025, foram contabilizados 39 feminicídios, um número superior ao do ano anterior, e a taxa chegou a 2,6 mortes para cada 100 mil mulheres. Conforme o relatório, a maioria dos crimes ocorre dentro do ambiente doméstico, caracterizando situações de violência. Os autores, na grande parte das ocorrências, eram os próprios companheiros ou ex-companheiros das vítimas.
O estudo também aponta para dificuldades na rede de proteção às mulheres, com casos documentados de vítimas que procuraram ajuda e solicitaram medidas protetivas, mas acabaram mortas. Para os pesquisadores, esta realidade demonstra a dificuldade do poder público em interromper ciclos de violência antes que eles culminem em morte. Desde que o feminicídio se tornou crime no Brasil, em 2015, pelo menos 13.703 mulheres foram assassinadas no país por razões relacionadas ao gênero, segundo o levantamento.
Os feminicídios geram um impacto direto nas famílias, deixando dezenas de crianças e adolescentes órfãos. Dados do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) revelam que, em 2025, 74 pessoas perderam os pais ou responsáveis, sendo 29 crianças, 12 adolescentes e 33 maiores de 18 anos.
Em 2024, foram 71 órfãos, com 24 crianças, 14 adolescentes e 33 maiores de 18 anos, e em 2026, dois órfãos maiores de 18 anos. A legislação brasileira prevê que, em caso de condenação por feminicídio, o responsável pelo crime perde o poder familiar sobre os filhos, conforme o artigo 92 do Código Penal.
Além disso, a Lei nº 14.713/2023 proíbe a guarda compartilhada em situações que envolvam risco de violência doméstica ou familiar. Se não houver familiares aptos a assumir a guarda, o Conselho Tutelar é acionado, podendo ocorrer o acolhimento institucional como medida temporária, até a reintegração familiar ou o encaminhamento para uma nova família.
A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul (PCMS) informou que dois homens são considerados foragidos da Justiça por crimes ligados à violência contra mulheres. Flávio Saad, de 51 anos, é procurado por feminicídio, e Marcelo Vitor Ferreira da Costa, de 39 anos, é procurado por tentativa de feminicídio.
Qualquer informação sobre o paradeiro dos suspeitos pode ser repassada às autoridades pelo telefone 67 99219-4380, e o sigilo é garantido.
A violência contra a mulher é um crime e pode ser denunciada de forma segura e sigilosa. Em casos de emergência, ligue imediatamente para 190. Para denúncias e orientações, o número 180 fica disponível 24 horas por dia. Também é possível denunciar via WhatsApp pelos números (61) 9610-0180 ou (67) 99180-0542.

