Rota da Celulose recebe investimento de R$ 10,1 bilhões para modernizar rodovias de Mato Grosso do Sul
Concessão de 30 anos prevê duplicações, 100% de acostamento e inovações como pedágio Free-Flow e pesagem dinâmica em trechos estratégicos.
O Governo do Estado e a empresa XP Infra, líder do consórcio Caminhos da Celulose, formalizaram na sexta-feira (6) o contrato de concessão da Rota da Celulose. A assinatura ocorreu em Inocência, durante a cerimônia de lançamento da pedra fundamental da Ferrovia do Projeto Sucuruí, marcando o início de um projeto de infraestrutura que receberá investimentos bilionários em Mato Grosso do Sul.
O acordo estabelece um montante de R$ 10,1 bilhões a ser aplicado em obras e manutenção ao longo dos próximos 30 anos. Deste total, R$ 6,9 bilhões são destinados a despesas de capital e R$ 3,2 bilhões cobrirão custos operacionais do sistema viário.
Modelada pelo Escritório de Parcerias Estratégicas, a concessão abrange um sistema rodoviário vital para o escoamento da produção, prevendo a recuperação, operação, manutenção, conservação, implantação de melhorias e a ampliação da capacidade de tráfego. Os trechos contemplados englobam as rodovias estaduais MS-040, MS-338 e MS-395, além das federais BR-262 e BR-267.
O projeto detalha um vasto plano de obras estruturais para aumentar a segurança viária e a fluidez do tráfego. Estão previstos 115 km de duplicações, 457 km de acostamentos, 245 km de terceiras faixas e 38 km de contornos urbanos. A infraestrutura será complementada com 12 km de marginais, 62 dispositivos em nível e quatro em desnível, 25 acessos, 22 passagens de fauna e 20 alargamentos de pontes. O contrato garante ainda 100% de acostamento em todo o sistema da Rota da Celulose, além de 3.780 m² de novas construções, incluindo viadutos e passarelas.
As inovações tecnológicas representam um pilar central da concessão. A Rota da Celulose adotará o sistema Free-Flow, que consiste em pórticos de cobrança de pedágio automático, eliminando a necessidade de cabines e paradas. Outras tecnologias incluem a pesagem eletrônica dinâmica (HS-WIN), a instalação de no mínimo 484 câmeras de reconhecimento óptico de caracteres (OCRs) e sistemas avançados de comunicação com os usuários.
Após a assinatura do contrato, a concessionária dispõe de 12 meses para finalizar todas as obras iniciais de recuperação e segurança antes de iniciar a cobrança do pedágio. Estas intervenções prioritárias incluem a conservação do pavimento (como tratamento de flechas e trincas), recuperação de pontes e viadutos, sinalização horizontal e vertical, manutenção da drenagem e o pleno funcionamento de bueiros e valetas. A empresa também deve garantir a limpeza da faixa de domínio e dos canteiros centrais, além da substituição de postes e luminárias.
Em um cronograma de curto prazo, o Consórcio Caminhos da Celulose estabeleceu que, nos primeiros 100 dias, as ações se concentrarão em dispositivos de segurança. Isso envolve a recuperação de 1.680 metros de defesa metálica (proteção contínua), a revitalização de 22,5 km de sinalização, a reposição de 490 placas e a instalação de 5 mil tachas refletivas.
No modelo Free-Flow, o motorista não precisa parar na rodovia, pois a cobrança é feita automaticamente ao passar pelo pórtico. As opções de pagamento são flexíveis, podendo ser realizadas via TAG eletrônica fixada no para-brisa, pelo site ou aplicativo da concessionária, ou por meio de pontos físicos credenciados, como Postos de Atendimento ao Usuário (SAU), postos de combustíveis e restaurantes.
A segurança dos usuários será reforçada pela implantação e operacionalização de veículos de inspeção. Estes veículos circularão continuamente pelos trechos concedidos, monitorando as condições da rodovia, prestando auxílio, detectando ocorrências e acionando os recursos necessários para o atendimento emergencial.
O contrato também exige a instalação de Pontos de Apoio ao Usuário (SAU), que deverão operar 24 horas por dia. Estes locais oferecerão informações, fraldário, sanitários, água potável, telefones de emergência, acesso à internet, estacionamento e, como inovação, pontos de recarga para carros elétricos.
Adicionalmente, serão instalados três Postos de Parada e Descanso (PPD), um em cada rodovia principal (MS-040, BR-262 e BR-267). Estes locais são destinados especificamente aos motoristas profissionais, com o objetivo de reduzir a fadiga e prevenir acidentes, garantindo condições adequadas de repouso conforme a legislação.
Os PPDs precisam assegurar segurança e dignidade, oferecendo estacionamento iluminado e com vigilância para evitar roubos de carga. Devem disponibilizar banheiros limpos com chuveiros (água quente e fria), lavatórios e condições sanitárias adequadas para higiene pessoal, além de áreas de descanso e refeitórios ou lanchonetes. A medida visa promover a segurança nas estradas, permitindo o cumprimento das 11 horas de descanso diário previstas em lei e, consequentemente, reduzindo drasticamente o risco de acidentes.

