Corumbá prepara implantação da Wolbachia para reduzir arboviroses
Corumbá iniciou as etapas de preparação para a implantação do método Wolbachia, estratégia complementar voltada ao controle de arboviroses como dengue, zika e chikungunya, conforme a apresentação realizada em quinta-feira, 03 de setembro durante videoconferência com representantes do Ministério da Saúde e da iniciativa Wolbachia do Brasil.
Participaram da reunião autoridades municipais e gestores de diferentes áreas, entre eles Tatiana Mattos, secretária de Saúde, Josileia Marques, secretária de Governo e Gestão Estratégica, Alexandre de Ohara, secretário de Assistência Social e Cidadania, Gerson Mello, adjunto de Infraestrutura, e Cristina Fleming, diretora-presidente da Fundação de Meio Ambiente.
Também acompanharam a apresentação Suzana de Figueiredo Xavier, adjunta de saúde, Patrícia Daga, superintendente de Atenção em Saúde, Walkíria Arruda, gerente de Vigilância em Saúde, Arleni Morinigo, gerente de Bem Estar Animal, e Viviane Neves, da Fundação de Turismo.
A consultora técnica do Ministério da Saúde na Coordenação-Geral de Vigilância de Arboviroses, Aline Rapello, explicou que a tecnologia passou por estudos e experiências em diferentes localidades antes de ser incorporada às estratégias nacionais de vigilância e controle das arboviroses, e destacou que o método não substitui as ações tradicionais de combate ao mosquito.
Organização operacional e capacitação
O processo local inclui a definição de áreas prioritárias, a preparação da estrutura destinada à produção dos mosquitos e a capacitação de servidores das áreas de saúde, educação, assistência social e comunicação, papel que deverá integrar as ações de vigilância e mobilização comunitária.
Está prevista a criação de um núcleo de eclosão no município, onde as cápsulas contendo ovos de Aedes aegypti com Wolbachia serão preparadas para eclosão e conduzidas ao ciclo natural de desenvolvimento até a fase adulta, antes do transporte para os bairros selecionados, estrutura que torna a tecnologia autossustentável.
Liberações e monitoramento
O cronograma apresentado prevê liberações graduais e monitoradas durante aproximadamente 26 semanas, cerca de seis meses, com aplicações semanais realizadas no período da manhã e circulação dos veículos pelas ruas das áreas definidas.
O monitoramento da presença da Wolbachia no ambiente começará cerca de um mês após o início das liberações e continuará após o encerramento dessa fase, por meio de nove ciclos de coleta utilizando ovitrampas destinadas à captura de ovos de mosquitos, com posterior análise do material para verificar o estabelecimento da bactéria na região.
Antes e durante as liberações haverá ações de comunicação e mobilização comunitária para orientar previamente os moradores das áreas contempladas, com distribuição de materiais educativos como cartazes, folders, panfletos, vídeos e conteúdos digitais.
O Ministério da Saúde ressalta que a iniciativa funciona como estratégia complementar, mantendo a necessidade de medidas tradicionais de prevenção, entre elas a eliminação de recipientes que possam acumular água para evitar a proliferação do Aedes aegypti.
Durante a apresentação também foram recomendadas formas de identificação dos insetos liberados, sugerindo nomes como “Aedes aegypti com Wolbachia”, “Wolbito” ou “mosquito amigo” para facilitar a comunicação com a população.
Experiências em diferentes países e cidades brasileiras foram citadas como evidência da eficácia da tecnologia, com relatos de redução nas ocorrências de arboviroses após a implantação, e foi mencionado estudo em Campo Grande que apontou redução de 63% nos casos de dengue, observação que orienta as avaliações locais mesmo reconhecendo que os resultados podem variar conforme características e condições de implantação em cada município.

