Painel de 1965 que retrata a história de Corumbá perde peças e tem trecho coberto com massa corrida

Painel de mais de seis décadas Foto: Silvio Andrade

Um painel de cerâmica criado em 1965 para a agência do antigo Banco Financial, na Rua Delamare, em Corumbá, teve parte da obra coberta com massa corrida depois que peças se soltaram da parede. A composição retrata atividades e paisagens ligadas à história da cidade, como pecuária, mineração, ferrovia, navegação, indústria, comércio, Pantanal e Rio Paraguai.

A retirada de móveis e produtos do imóvel durante uma reforma deixou o painel novamente à mostra e revelou a área mais danificada. O trecho coberto incluía figuras de peões, uma boiada e elementos da paisagem pantaneira, que faziam parte do desenho original.

O empresário Alfredo Zanlutti Junior, ex-acionista do Banco Financial e atual presidente da Faems, cobrou providências do Iphan e da Prefeitura de Corumbá para preservar a obra. “Um absurdo!”, reagiu. “Isso só acontece em Corumbá, é uma vergonha”, afirmou.

Segundo Zanlutti, o painel foi encomendado pelo banco e instalado por uma empresa de São Paulo, com as peças colocadas uma a uma para formar toda a composição.

“Foi montada peça por peça, tornando-se uma obra maravilhosa, de grande expressividade do que temos de mais rico na região”, recordou. “Era um orgulho para nós. Os clientes e visitantes o admiravam. Havia peças de reposição. Onde estão?”

Problemas começaram há mais de dez anos

Os primeiros sinais de desgaste apareceram por volta de 2015, quando algumas peças começaram a se soltar, segundo a arquiteta Lauzie Xavier, diretora-presidente da Fuphan. Na época, houve uma restauração acompanhada pelo Iphan.

Depois da venda do prédio e da mudança de atividade no imóvel, o painel ficou por anos escondido atrás de móveis e eletrodomésticos. Com novos descolamentos, parte da área atingida acabou recebendo massa corrida, alterando o desenho original.

O arquiteto e urbanista João Bosco Delvízio, autor de livro sobre a arquitetura e a memória de Corumbá, criticou a situação. “Que pecado!”, lamentou.

O escritor, historiador e ativista cultural Benedito C. G. Lima também criticou o estado da obra. “Aqui em Corumbá destroem tudo que é arte”, afirmou.

O painel ainda permanece na parede do imóvel da Rua Delamare, mas os danos já atingiram parte da composição criada há mais de seis décadas para representar a história econômica, cultural e natural de Corumbá.

As informações são do Campo Grande News

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