Pesca esportiva feminina movimenta economia de Corumbá e abre temporada do Anzol Rosa nesta quarta

O Porto Geral de Corumbá dá a largada nesta quarta-feira (28) à edição 2026 do Anzol Rosa, principal projeto brasileiro de pesca esportiva voltado ao empoderamento feminino. A programação deste ano foi dividida em duas expedições pelo Rio Paraguai, sendo a primeira de 28 de outubro a 1º de novembro e a segunda entre os dias 1º e 5 de novembro.

Criada em solo corumbaense como a primeira iniciativa do país dedicada exclusivamente às mulheres na pesca esportiva, a ação chegou à terceira edição após ter sido realizada em 2022 e 2024, somando ao todo cerca de 2 mil pescadoras vindas do Brasil, da Bolívia e do Paraguai. Apesar de pelo menos outros dois estados já terem procurado empresas locais na tentativa de levar o evento para fora da região, o projeto permanece como um produto exclusivo da economia do município.

A consolidação da cidade como sede do encontro se apoia na maior infraestrutura de recepção ao turismo pesqueiro do Pantanal e na maior frota de barcos-hotéis da América Latina, composta por mais de 20 embarcações que variam de modelos rústicos a estruturas de alto luxo.

Essa capacidade operacional coloca Corumbá como o principal polo de circulação de visitantes dentro de uma atividade que sustenta o turismo em Mato Grosso do Sul, setor responsável por movimentar aproximadamente R$ 4 bilhões anuais, o correspondente a cerca de 4% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual.

Ocupação de espaço e cadeia econômica

Dentro da proposta do evento, a modalidade do pesque-e-solte atua como um instrumento de valorização e autonomia ao incentivar que as participantes ocupem um ambiente historicamente dominado pelo público masculino, aliando o contato direto com a biodiversidade pantaneira a um período de dedicação pessoal.

Quem já embarcou nas edições anteriores destacou a quebra desse paradigma nas águas da região. “A história da pesca sempre foi uma coisa meio de homem, mas quando fui para o rio Paraguai, eu acabei vendo muita mulher, além de famílias. É uma experiência marcante”, conta a psicopedagoga Lilia Maria Gouveia Bezerra.

Para a pedagoga Delari Maria Bottega, a viagem proporcionou um intervalo raro nas obrigações do dia a dia. “É uma experiência incrível porque a gente tira um tempo que é só para gente, em meio à natureza, com cenários lindos”, afirma.

Além do impacto direto nas águas do Pantanal, o desembarque das pescadoras aciona uma engrenagem econômica que abastece hotéis, restaurantes, empresas de transporte, guias de pesca, lojas de equipamentos e o comércio varejista urbano. Segundo a proprietária da agência Joice Tur, Joice Carla Santana Marques, o fluxo gerado pela atividade se espalha por diferentes níveis da economia sul-mato-grossense.

“Quem vem pescar no Pantanal não consome só o rio. Ele se hospeda, come, contrata piloteiro, compra equipamento, conhece a cidade e volta. A pesca esportiva é a porta de entrada de uma cadeia inteira do turismo em Mato Grosso do Sul, e cada temporada sustenta desde famílias ribeirinhas até empresas da capital”, afirma.

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