24 vereadores assinam pedido de CPI sobre tapa-buracos em Campo Grande
A Câmara Municipal de Campo Grande reuniu 24 assinaturas para pedir a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre a operação tapa-buracos. O apoio foi consolidado durante uma reunião na tarde de sexta-feira (16), mas a comissão ainda não está oficialmente instalada e depende da análise da Procuradoria Jurídica da Casa.
De autoria da vereadora Luiza Ribeiro (PT), o requerimento prevê prazo inicial de 120 dias para investigar a execução dos serviços de manutenção das ruas. Entre os pontos levantados estão a redução dos recursos destinados às vias públicas nos últimos dois anos, com atenção especial ao orçamento previsto para 2026, possíveis irregularidades em contratos e o descumprimento de prazos para respostas do Executivo a pedidos de informação aprovados pelos vereadores.
Luiza afirmou que o volume de reclamações e solicitações apresentadas pelos parlamentares pesou na discussão sobre a abertura da CPI. Segundo ela, somente no primeiro semestre foram feitas mais de 10 mil indicações de vereadores pedindo serviços de tapa-buracos.
“Desde ontem, na sessão, as bancadas ficaram de apreciar os fatos determinantes na data de hoje. Enfim, foram as lideranças e demais vereadores. Passamos a tarde toda debatendo sobre a CPI e o caos que é esse serviço”, afirmou a vereadora.
Em outra declaração, Luiza criticou a postura do Executivo municipal diante das cobranças. “Há um clamor da sociedade e um silêncio do Executivo, e nada justifica o que eles estão fazendo”, declarou.
O presidente da Câmara, Epaminondas Neto, o Papy (PSDB), disse que a reunião permitiu discutir a proposta entre as bancadas e que vereadores ausentes também manifestaram apoio. Para ele, a investigação deve esclarecer os motivos pelos quais o serviço não tem atendido às demandas da população.
“Como resultado, boa parte dos vereadores presentes assinaram o requerimento da CPI, e os ausentes também manifestaram apoio positivo. O objetivo é que a CPI seja um instrumento da Câmara Municipal em prol da população de Campo Grande, para debater e investigar os motivos pelos quais o serviço de tapa-buracos tem se mostrado ineficaz na cidade”, afirmou Papy.
Não assinaram o requerimento durante a reunião os vereadores Juari Lopes (PSDB), Clodoilson Pires (Podemos), Delei Pinheiro (PP) e Wilson Lands (Avante), que não compareceram ao encontro. Segundo as informações divulgadas, eles demonstraram interesse na proposta, mas não formalizaram o apoio naquele momento. Beto Avelar (PP), que participou das discussões, também não assinou o documento. Ele é líder da prefeita Adriane Lopes (PP) na Câmara.
Pedido ainda passará por análise jurídica
A Procuradoria Jurídica da Câmara deverá verificar se o requerimento atende às exigências legais, regimentais e constitucionais. Após o parecer, caberá à Mesa Diretora dar andamento à constituição da comissão. A escolha dos integrantes e a definição de presidência e relatoria deverão respeitar a proporcionalidade partidária do Legislativo.
Luiza Ribeiro também manifestou interesse em presidir a CPI, mas os cargos ainda não foram definidos.
Paralelamente ao pedido de investigação, os vereadores aprovaram na quinta-feira (15) a convocação do secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos, André de Moura Brandão. Ele deverá comparecer à sessão ordinária de terça-feira (20) para prestar esclarecimentos sobre a operação tapa-buracos.
A convocação do secretário e o requerimento da CPI são iniciativas distintas, embora ambos tratem da execução dos serviços de manutenção viária e das reclamações sobre as condições das ruas da Capital.
