Planalto vê abertura com Trump para renegociar tarifaço após eleição

Lula e Trump apertam as mãos em encontro diplomático com bandeiras ao fundo

Diálogo entre Lula e Trump reabre canal para negociar tarifas, mas mudanças só devem ocorrer após pleito

O telefonema entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, na sexta-feira (21/8), foi visto pelo governo brasileiro como uma janela para renegociar as tarifas sobre produtos nacionais exportados aos Estados Unidos. A avaliação de auxiliares do Planalto é que a conversa, que durou uma hora e vinte minutos, criou condições para que a Casa Branca volte à mesa de negociação depois das eleições presidenciais deste ano.

Na ligação, Lula pediu o aval do republicano para retomar o diálogo comercial, o que foi aceito. Segundo a nota oficial divulgada após o contato, Trump concordou com a necessidade de manter vínculos fortes e sugeriu que as equipes dos dois países se reunissem rapidamente. Logo depois, o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, falou com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e os dois marcaram uma videoconferência para a próxima semana.

Tarifaço e tensões recentes

As negociações estavam paradas desde o mês passado, quando o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) impôs duas sobretaxas ao Brasil: uma de 25%, específica para o país, e outra de 12,5%, que atinge mais de 60 nações. Juntas, as tarifas podem chegar a 37,5% para alguns setores. A alíquota menor foi justificada por suposta falta de combate ao trabalho forçado em cadeias produtivas, enquanto a maior alega práticas comerciais desleais.

A decisão norte-americana elevou o tom entre os dois governos. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, acusou Lula de não negociar de boa-fé, enquanto o chanceler Mauro Vieira classificou a declaração de “grosseira e arrogante”. O governo brasileiro, por sua vez, sustenta que a taxação tem motivação política, já que o país mantém superávit com os americanos.

Mudanças só após o pleito

Embora o diálogo tenha sido retomado, interlocutores de Lula não esperam efeitos práticos a curto prazo. A proximidade das eleições brasileiras faz com que os EUA adotem cautela. Se o candidato Flávio Bolsonaro (PL), alinhado a Trump, vencer, o cenário das tarifas pode mudar. Caso Lula conquiste o quarto mandato, a expectativa é de que haja um caminho aberto para negociar. Além disso, a reeleição de Trump, que já está em seu segundo mandato (que termina em janeiro de 2029), não altera a estratégia imediata.

Segundo fontes do alto escalão do Executivo, a ligação foi positiva, cordial e sem menções a divergências. Trump elogiou a trajetória de Lula e disse que pode ser acionado quando necessário. Para analistas, a retomada do diálogo serve como trunfo para mostrar disposição do Brasil em negociar, e a proximidade entre os líderes reduz a influência de setores contrários à relação bilateral.

O telefonema também abordou outros temas, como o combate ao crime organizado e conflitos globais, incluindo as situações da Ucrânia e do Oriente Médio. Trump teria feito uma referência superficial às eleições brasileiras, elogiando a segurança do sistema eleitoral, sem comentários adicionais.

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