Prefeito do PL faz dobradinha com Vander Loubet e deixa Capitão Contar de fora

vander ferro Juliano Ferro

O prefeito de Ivinhema, Juliano Ferro (PL), declarou apoio ao deputado federal Vander Loubet (PT) na disputa pelo Senado e passou a defender o petista como um de seus dois votos para a eleição de 2026. A manifestação contraria a articulação oficial do PL em Mato Grosso do Sul, que trabalha pela eleição do ex-governador Reinaldo Azambuja e do ex-deputado estadual Capitão Contar.

Juliano publicou o posicionamento nas redes sociais e colocou Vander ao lado de Azambuja na composição que pretende levar aos eleitores. Capitão Contar, que também é do PL e representa o campo bolsonarista, ficou fora da dobradinha apresentada pelo prefeito.

A justificativa apresentada por Juliano está ligada à relação política construída com Vander durante os anos em que esteve à frente da Prefeitura de Ivinhema. O prefeito afirmou que o deputado federal participou de ações que ajudaram o município e disse que já havia apoiado Vander em outras três campanhas.

“Todo mundo sabe da minha proximidade com o Vander. Já fiz três campanhas para ele e ao longo desses seis anos como prefeito, ele foi um grande companheiro que nós tivemos na Câmara dos Deputados”, afirmou Juliano.

O prefeito também relacionou obras e mudanças realizadas em Ivinhema ao apoio recebido de Vander em Brasília. Ao explicar a decisão de manter a parceria mesmo com os dois políticos pertencendo a partidos de campos diferentes, Juliano afirmou que leva em consideração quem contribuiu com o município.

“Eu ajudo quem me ajudou a construir Ivinhema Melhor”, afirmou.

Na mesma manifestação, Juliano citou os deputados estaduais Zé Teixeira e Mara Caseiro, ambos do PL, além do governador Eduardo Riedel (PP). O senador Flávio Bolsonaro (PL) também foi mencionado pelo prefeito.

Apoio expõe disputa por votos dentro da direita

A escolha de Juliano reforça uma movimentação que pode dificultar a estratégia do PL para a eleição ao Senado em Mato Grosso do Sul. A avaliação no meio político é que prefeitos podem montar suas próprias composições e indicar aos eleitores nomes diferentes daqueles definidos pelas direções partidárias.

Azambuja assumiu o comando estadual do PL após deixar o PSDB, partido que liderou durante cerca de três décadas. A estratégia oficial inclui a formação de uma chapa com Capitão Contar, apesar do histórico de confronto entre os dois.

Contar chegou a pedir o impeachment de Azambuja em 2018, durante os desdobramentos da Operação Vostok. Mesmo com a antiga disputa, os dois passaram a integrar a mesma estrutura partidária e são apresentados como nomes do PL para o Senado.

Outro movimento que alterou o cenário foi a saída do senador Nelsinho Trad (PSD) da composição que vinha sendo articulada com Azambuja no interior. A dobradinha entre os dois chegou a ser trabalhada politicamente, mas não foi formalizada.

Nesse cenário, Vander tenta ampliar sua rede de apoio entre prefeitos de diferentes partidos. O deputado federal destinou emendas para municípios administrados por políticos de diferentes siglas e tem utilizado essas relações construídas ao longo dos anos como parte de sua estratégia eleitoral.

A aproximação também alcança prefeitos ligados ao bolsonarismo que permanecem no PL, mas que não foram levados para a legenda por Azambuja. A manifestação de Juliano Ferro expõe justamente esse espaço de atuação política, em que alianças locais podem seguir uma lógica diferente da orientação das direções partidárias.

A declaração também ocorre em um momento em que o grupo ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro trabalha para eleger uma bancada ampla no Senado. O apoio de prefeitos do PL a candidatos de outras legendas pode interferir diretamente na tentativa de concentrar os votos do campo conservador em nomes definidos pela direção partidária.

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andorinha Juliano Ferro

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