PF e Abin monitoram suspeita de interferência dos EUA após suspensão de serviços consulares
Setores da Polícia Federal e da Agência Brasileira de Inteligência passaram a monitorar uma possível interferência dos Estados Unidos na eleição brasileira depois que o governo Donald Trump suspendeu nesta sexta-feira (2) os atendimentos presenciais da embaixada e dos consulados americanos no país. Informações foram publicadas pela Revista Forum e atribuídas aos órgãos de inteligência que conforme a reportagem, apontam preocupação com uma ação voltada a aumentar a sensação de insegurança a dois dias do primeiro turno.
A suspeita foi relatada inicialmente pela Revista Fórum, que ouviu uma fonte da PF envolvida na produção de informes encaminhados ao Sistema Brasileiro de Inteligência e um diplomata ligado ao governo. Segundo essas fontes, a avaliação é de que o fechamento das representações poderia ser explorado politicamente para alimentar medo entre os eleitores e afetar a votação de domingo. O Correio Braziliense também confirmou com fontes do governo a existência de alertas atribuídos à PF e à Abin sobre uma possível interferência externa.
Os relatos publicados pela Fórum citam ainda uma possível operação psicológica coordenada a partir dos Estados Unidos, com participação de aliados de Flávio Bolsonaro. De acordo com a reportagem, os informes trabalham com a hipótese de que a criação de um ambiente de insegurança poderia aumentar a abstenção ou atingir politicamente o presidente Lula. Essa é uma avaliação atribuída às fontes ouvidas pelo veículo e não aparece como conclusão oficial divulgada pela PF.
A expressão “tentativa de golpe” também foi usada por uma das fontes ouvidas pela publicação para definir uma possível intervenção destinada a favorecer uma candidatura. Os documentos citados pela reportagem tratariam o acompanhamento como uma operação psicológica e fariam referência ao episódio histórico da Operação Brother Sam, montada pelos Estados Unidos durante o golpe militar de 1964.

Suspensão ocorreu após alerta de segurança
Os Estados Unidos suspenderam os serviços consulares na Embaixada em Brasília e nos consulados do país alegando preocupações com segurança, sem apresentar inicialmente detalhes públicos sobre a ameaça. A Austrália adotou medida semelhante e orientou seus cidadãos a evitarem instalações diplomáticas americanas no Brasil.
A Polícia Federal confirmou nesta sexta-feira que cumpriu dois mandados de busca e apreensão em São Paulo e no entorno do Distrito Federal para investigar um suposto planejamento de atos contra instalações diplomáticas dos Estados Unidos. A operação foi realizada em uma investigação sigilosa e com cooperação de agências estrangeiras.
Até a tarde desta sexta, porém, a PF informou que as buscas não encontraram elementos que confirmassem os riscos inicialmente apontados e também não identificaram suspeitos ligados a organizações criminosas. Equipamentos de comunicação e mídias foram apreendidos e continuam sendo analisados.
O governo brasileiro já acompanhava possíveis interferências estrangeiras no processo eleitoral antes da suspensão dos atendimentos americanos. A Agência Brasil informou que a Abin vinha emitindo alertas sobre esse risco, enquanto fontes do governo ouvidas por outros veículos passaram a relacionar o fechamento das representações diplomáticas ao ambiente político dos últimos dias antes da votação.
Outro ponto acompanhado pelo governo envolve um programa do Departamento de Estado americano destinado ao Brasil para financiar iniciativas contra o que Washington classifica como “lawfare” e censura. A divulgação desse financiamento também levou integrantes do governo brasileiro a levantar suspeitas de interferência externa na eleição.
