Departamento de Estado dos EUA nega plano para impedir reeleição de Lula
O Departamento de Estado dos Estados Unidos negou nesta quinta-feira (13) ter qualquer plano para impedir a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A resposta, dada ao g1, veio acompanhada da garantia de que os americanos respeitarão “qualquer governo” que os brasileiros elegerem. “Damos grande importância à relação com o Brasil. Respeitamos o povo brasileiro e qualquer governo que eles escolham livremente, por meio de eleições livres e justas no Brasil. E nós [EUA] temos respeitado e mantido relações com governos de ambos os lados do espectro político no Brasil, e tivemos relações muito bem-sucedidas com eles”, afirmou uma autoridade, sem citar diretamente o secretário de Estado, Marco Rubio.
Apesar da negativa, a frase “eleições livres e justas” carrega um tom ambíguo, já que foi usada pelo governo Trump em outras ocasiões para questionar processos eleitorais em outros países. No Brasil, porém, o sistema é reconhecido como seguro e confiável, como reforça o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A equipe de Lula, por outro lado, avalia que Rubio mantém uma estratégia para minar a candidatura do petista no pleito de outubro.
As relações entre os dois países atravessam um momento delicado, marcado por uma série de atritos recentes. Entre eles estão a circulação de uma montagem que colocava Lula algemado e vendado no lugar do ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro, preso pelos EUA em janeiro, além das sanções contra autoridades brasileiras, como o cancelamento do visto da embaixadora do Brasil em Washington e a aplicação da Lei Magnitsky ao ministro Alexandre de Moraes em 2025. A lista inclui ainda os sucessivos aumentos de tarifas sobre produtos brasileiros.
Movimento americano na região
O governo Trump vem adotando uma postura mais agressiva em relação à América Latina, com o objetivo de alinhar os países aos interesses dos EUA e reduzir a influência de Rússia e China na região. Nesse cenário, vários países elegeram líderes ideologicamente próximos de Trump, como Peru, Colômbia, Chile, Bolívia e a Argentina de Javier Milei. Com isso, o Brasil, que mantém um governo de esquerda, tornou-se o principal alvo dessa investida. Rubio, em alguns momentos, também adotou um tom inflamado, trocando farpas com Lula.

