Brasil repudia revogação de visto da embaixadora em Washington e critica ação dos EUA

O governo brasileiro repudiou nesta terça-feira a alteração do visto da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Ribeiro Viotti, anunciada pelo Departamento de Estado norte-americano. Segundo a administração dos EUA, a medida foi tomada em razão da demora brasileira na resposta à concessão de anuência diplomática para o indicado do governo Trump a assumir a embaixada dos Estados Unidos no Brasil.

Em nota divulgada pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República, o Executivo brasileiro refutou as alegações apresentadas pelos Estados Unidos e classificou as justificativas como inverídicas. “O Governo brasileiro repudia a decisão anunciada hoje pelo Departamento de Estado dos EUA de alterar o visto da embaixadora do Brasil em Washington. As duas justificativas apresentadas são falsas”. A nota foi publicada como reação oficial à decisão comunicada na terça-feira 4.

O texto oficial também sustenta que os Estados Unidos romperam normas diplomáticas ao divulgar o nome do seu indicado antes da conclusão do processo de anuência no país anfitrião. O governo destacou que o pedido norte-americano ainda está em análise e contestou qualquer cronologia imposta ao procedimento. “Não há regra na Convenção de Viena estipulando prazo para a concessão do agrément”. A avaliação brasileira reforça que a divulgação pública do nome contraria a prática prevista na convenção.

Além da questão do agrément, o Palácio do Planalto mencionou a negativa de vistos a dois funcionários do governo dos Estados Unidos, medida justificada por Washington como preventiva contra ações que, segundo os americanos, teriam o objetivo de questionar o sistema eleitoral brasileiro. O governo brasileiro interpretou a ação como tentativa de interferência no calendário político do país. “Fica óbvio também o interesse descabido de interferir na próxima eleição para presidente”.

A nota do Executivo inseriu o episódio em um quadro mais amplo de tensão bilateral, afirmando que a decisão desta terça-feira não é isolada. “A decisão de hoje não é um fato isolado. Faz parte de uma escalada deliberada de medidas hostis ao Brasil, motivadas por razões ideológicas incompatíveis com uma parceria bilateral que sempre foi pautada pelo respeito mútuo”. A declaração foi usada para marcar a gravidade atribuída pelo governo à sequência de medidas recentes.

O Palácio do Planalto também lembrou que autoridades brasileiras continuam sujeitas a sanções individuais sob a Lei Magnitsky impostas pelos Estados Unidos, e destacou esforços do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para amenizar as divergências. “O governo brasileiro não poupou esforços para resolver essas diferenças. O próprio presidente Lula, em sua visita a Washington em maio último, entre outros assuntos, solicitou ao presidente Trump o levantamento das sanções individuais”. A menção visou contextualizar tentativas diplomáticas recentes para normalizar relações entre os dois países.

Em termos formais, o governo brasileiro reafirmou que mantém a análise do pedido de anuência e contestou a narrativa usada para justificar a mudança do visto da embaixadora. As informações divulgadas pela Secretaria de Comunicação são a fonte oficial da posição do Executivo sobre o caso.

PUBLICIDADE


andorinha

Veja também