Relatório do Gaeco cita oito autoridades em investigação sobre venda de livros a prefeituras
Um relatório do Gaeco registrou menções a oito autoridades durante conversas investigadas sobre a venda de livros da Editora Avante a prefeituras de Mato Grosso do Sul, sob a suspeita de oferta de vantagens na regulação da saúde. Os nomes aparecem como possíveis meios de acesso e convencimento de prefeitos, mas os documentos consultados pela reportagem não comprovam que os contatos anunciados tenham ocorrido.
As conversas são atribuídas a Ed Carlo, coordenador da Regulação da Saúde, e Gabriel Taquino, que se apresentava como vendedor da editora. Eles mencionaram o vice-governador Barbosinha, o deputado federal Dagoberto Nogueira, do PP, o conselheiro do Tribunal de Contas Sérgio de Paula e os deputados estaduais Jamilson Name, do PP, Paulo Corrêa e Mara Caseiro, ambos do PL, Lídio Lopes, do Avante, além de Herculano Borges, que era deputado na época.
Conversas citam articulação com lideranças
Em um dos diálogos, Gabriel pede que Ed Carlo procure Paulo Corrêa para ajudar a “fazer dinheiro”. Em outros trechos, Ed Carlo menciona um alinhamento com Jamilson Name, volta a falar em ajuda de Paulo Corrêa e informa que procuraria Dagoberto Nogueira para tratar de Paranaíba.

A dupla também cita negócios que teria conseguido realizar com municípios e a intenção de conversar com Tiago, identificado no relatório como genro de Mara Caseiro. Outra gravação indica uma possível conversa com Lídio Lopes na residência dele e da prefeita Adriane Lopes, enquanto diálogos posteriores mencionam Barbosinha, Herculano Borges e Sérgio de Paula.
Os investigadores apontaram referências a várias prefeituras, autoridades com prerrogativa de foro e possíveis servidores ou particulares ligados a agentes políticos. Conforme o relatório, essas pessoas teriam recebido vantagens indevidas relacionadas às supostas vendas de livros aos municípios, o que levou ao envio do caso ao procurador Romão Ávila.
O procurador avaliou que as provas reunidas eram relevantes, mas considerou necessário devolver os autos à origem para ampliar a coleta de elementos sobre investigados sem foro. A medida também permitiria buscar dados capazes de sustentar uma eventual investigação contra agentes políticos citados nas conversas.
O desembargador Odemilson Roberto Castro Fassa acolheu o pedido do procurador-geral de Justiça e determinou o envio do procedimento e de seus apensos à 2ª Vara Criminal de Campo Grande. Depois, os autos devem ser encaminhados ao GAECO/MS para a continuidade da apuração, com possibilidade de retorno ao tribunal caso surjam novos indícios contra pessoas com foro por prerrogativa de função.
Até o momento, os documentos acessados pela reportagem não apresentam prova de que os investigados tenham efetivado as conversas anunciadas com os parlamentares, cujos sigilos ainda não foram quebrados. As autoridades citadas foram procuradas, mas não responderam até a publicação, e o espaço permanece aberto.
Confira outras transcrições das mensagens encontradas pelo GAECO:




