Gaeco aponta suposto uso de influência de deputados em esquema de fraude na compra de livros
Investigados utilizavam nomes de parlamentares estaduais e federais como credencial para facilitar a abertura de portas em prefeituras de Mato Grosso do Sul.
Uma investigação conduzida pelo Ministério Público estadual aponta que suspeitos de fraudar contratos de compras de livros em Mato Grosso do Sul utilizavam a influência de deputados para obter acesso a prefeituras. O esquema sob apuração do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado envolve diretamente a tentativa de fechar negócios milionários com diversas administrações municipais para a Editora Avante.
O Procedimento Investigatório Criminal apura práticas de organização criminosa, corrupção ativa e passiva e também peculato em contratações públicas de material didático. As fraudes teriam ocorrido em negociações com os municípios de Miranda, Ivinhema e Ladário, a partir de ações combinadas entre os operadores do esquema.
Articulação política para venda de materiais
O ex-gestor de regulação da Secretaria Estadual de Saúde Ed Carlos Britto Burgatt e o advogado Gabriel Taquino aparecem em conversas telefônicas articulando as abordagens políticas. Ed Carlos detalhou em diálogos gravados que a marcação de reuniões dependia de uma ordem que precisava “vir de cima”.
Os diálogos interceptados pelas autoridades revelam que os investigados miravam dez municípios que estariam sob a suposta esfera de influência de um único parlamentar estadual. Gabriel Taquino pediu a lista dessas localidades e ouviu do parceiro que o objetivo principal era fechar todos os acordos possíveis porque “dinheiro é dinheiro”.
O relatório indica que os operadores planejavam intensificar os contatos políticos para expandir a atuação da Editora Avante em outras regiões. Gabriel Taquino reforçou a necessidade de buscar o apoio dos parlamentares e sugeriu que os suspeitos deveriam “usar a força” dos deputados para consolidar as vendas.
As apurações apontam que os nomes de seis parlamentares foram citados nas negociações, mas nenhum deles é alvo direto de inquérito por falta de provas de participação ativa nos crimes. A denúncia inicial chegou aos promotores após uma contratação de mais de 1 milhão de reais realizada pela Prefeitura de Miranda para o fornecimento de livros paradidáticos.
