Investigação aponta que exames e internações eram usados como moeda de troca em esquema de R$ 27 milhões na saúde de MS
A investigação da Operação Gutenberg aponta que a estrutura de regulação da saúde pública de Mato Grosso do Sul teria sido utilizada como instrumento para favorecer um esquema de contratos públicos. Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a liberação de exames, internações e outros procedimentos do Sistema Único de Saúde (SUS) era usada como forma de pressionar gestores municipais a contratar empresas ligadas ao grupo investigado.
O suposto esquema teria movimentado cerca de R$ 27 milhões em contratos firmados com prefeituras sul-mato-grossenses. Entre os investigados está Ed Carlo Britto Burgatt, então chefe do serviço de regulação da saúde do Estado, apontado pelo Ministério Público como um dos principais articuladores do mecanismo. Nesta quarta-feira (8), ele foi dispensado da função de chefia por publicação no Diário Oficial do Estado. Servidor concursado no cargo de auditor de saúde, permanecerá afastado das atividades.

De acordo com as investigações, prefeitos e secretários municipais dependiam da autorização de procedimentos como exames, consultas especializadas, cirurgias e internações. A força-tarefa apura que essa necessidade era explorada pelo grupo para direcionar a compra de materiais gráficos produzidos por empresas ligadas aos investigados.
Para os promotores, o controle sobre a regulação da saúde representava um dos principais instrumentos utilizados para manter o funcionamento do esquema. A suspeita é de que o acesso aos serviços públicos fosse transformado em vantagem para obtenção de contratos financiados com recursos municipais.
Operação reúne servidores, empresários e ex-prefeito
Além de Ed Carlo, a operação resultou na prisão da empresária Jéssyka Duarte Burgatt, filha do servidor e proprietária do plano de saúde Capital Saúde. Também foi preso Felipe Paroschi Jafar, ocupante de cargo comissionado na Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul), que acabou exonerado pelo Governo do Estado.

Entre os demais alvos estão a empresária Rossana Paroschi Jafar, seus filhos Olívia Paroschi Jafar e Felipe Paroschi Jafar, o ex-prefeito de Fátima do Sul Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior, empresários, advogados e outros investigados apontados como integrantes da organização.
Os presos passaram por audiência de custódia nesta quarta-feira e deverão ser encaminhados ao sistema prisional.
Após a deflagração da Operação Gutenberg, o Governo de Mato Grosso do Sul informou que abriu auditoria para apurar os procedimentos considerados suspeitos pela investigação. O Executivo estadual também anunciou o afastamento de servidores efetivos que ocupavam funções de confiança e a exoneração dos investigados em cargos comissionados.
