Brasil vai buscar novos parceiros para reduzir impactos comerciais dos EUA

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Na reunião ministerial realizada no Palácio do Planalto, o presidente traçou a estratégia do Executivo para enfrentar as medidas apontadas por Washington, em encontro que ocorreu logo após a divulgação do relatório do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos.

Ao expor a determinação do governo em buscar alternativas comerciais, ele ressaltou a disposição de diversificar mercados e parceiros. “Nós vamos procurar outros parceiros. Se ele não quer comprar, a gente vai vender para quem quiser comprar. Não vamos ficar reclamando. Se não quiser investir aqui, nós vamos procurar outro. O Brasil é dono do seu nariz. Isso aqui é um país democrático e soberano”

Em seguida, o presidente qualificou a mudança de postura brasileira em relação às grandes potências, afirmando que o país não aceitará tratamento inferiorizado nas negociações internacionais. “Nós resolvemos não adotar mais a política do vira-lata diante das grandes potências. Nós não somos melhores do que ninguém, mas não somos piores. Vamos respeitar todo mundo, mas queremos respeito”

O relatório do USTR sugere, entre outras ações, a taxação de 25% sobre parte das importações brasileiras para os Estados Unidos, em desdobramento de uma investigação iniciada há um ano no governo do ex-presidente Donald Trump contra supostas “práticas desleais” do Brasil no comércio com os EUA, conforme o documento divulgado pela autoridade comercial norte-americana.

Na justificativa apresentada, a instituição cita o Pix como um mecanismo que teria prejudicado de forma “injusta” empresas estadunidenses prestadoras de serviços de pagamento eletrônico, mencionando operadoras de cartão de crédito como MasterCard e Visa, além do Whatsapp Pay.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços aferiu que a decisão sugerida pelos Estados Unidos atinge diretamente 21% do total das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano. O governo e as empresas afetadas têm até o dia 15 de julho para se manifestar sobre o relatório final do USTR, prazo após o qual os EUA poderão adotar medidas corretivas.

Com as medidas em análise, o presidente anunciou também alteração na agenda internacional do País e apontou a necessidade de atuação em fóruns multilaterais. “Eu nem ia no G7, agora eu vou. É preciso alguém tentar colocar ordem na casa e parar essa coisa de desmonte do multilateralismo, da democracia e desvalorização das instituições. Se a ONU não está funcionando hoje, não é destruindo a ONU que a gente vai consertar o mundo, é reconstruindo a ONU”

O presidente lembrou ainda das conversas mantidas em maio com o chefe de Estado norte-americano, quando, segundo ele, houve um acordo para tentar resolver a questão comercial em 30 dias, e entregou documentos que, na avaliação brasileira, demonstram uma relação comercial favorável aos EUA ao longo das últimas décadas. “Eu saí de lá convencido de que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento democrático e civilizado entre Brasil e Estados Unidos. E confesso a vocês que fui pego de surpresa ontem com a decisão deles”

As informações divulgadas pelo governo voltam a colocar a pauta comercial entre Brasil e Estados Unidos no centro das ações oficiais, com Brasília buscando tanto respostas diplomáticas em instâncias internacionais quanto alternativas econômicas junto a outros mercados.

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