Mendonça determina que PF apure vazamento de inquérito sobre Lulinha
Em despacho expedido nesta quinta-feira, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Polícia Federal apure o vazamento de informações sigilosas do inquérito que investiga Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A decisão atende a um pedido da defesa e ocorre após a divulgação de reportagens com base nos autos.
Mendonça citou em sua decisão matérias jornalísticas que revelaram conversas entre Lulinha e a lobista Roberta, nas quais ambos mencionam que o futuro deles seria a Suíça. Além disso, uma reportagem da revista Veja, publicada ontem, informou que Roberta teria dito, em mensagens obtidas pela PF, que Lula ofereceu a ela um cargo no governo. Diante disso, o ministro considerou imperiosa a apuração sobre a origem das informações veiculadas indevidamente.
Na decisão, o ministro reforçou a necessidade de a autoridade policial zelar pela garantia constitucional do sigilo da fonte, prevista no inciso XIV do artigo 5º da Constituição, em favor dos jornalistas. Ele esclareceu que a investigação deve focar na identificação daqueles que tinham o dever de custodiar o material sigiloso e o violaram, e não nos profissionais que, no exercício legítimo da profissão, tiveram acesso indireto às informações.
Investigações contra Lulinha
O filho do presidente responde a três inquéritos na Polícia Federal. Dois estão sob relatoria de André Mendonça, e o terceiro é conduzido pelo ministro Flávio Dino. O mais recente, aberto por decisão de Dino, apura suspeita de tráfico de influência envolvendo empresas parceiras de Lulinha. Uma apuração relacionada vai investigar vazamentos ilegais de dados sigilosos de investigados, caso em que Lulinha pode ter sido vítima.
