El Niño previsto para 2026 aumenta risco de incêndios no Mato Grosso do Sul
Uma nota técnica de abril, elaborada por INPE, INMET, Funceme e Censipam, indica probabilidade superior a 80 por cento de configuração do El Niño ao longo do segundo semestre de 2026 e aponta que o fenômeno pode se estender até o início de 2027.
O risco para Mato Grosso do Sul nasce da coincidência entre o período previsto de formação do El Niño e a janela climatológica em que o Estado passa do fim da seca para a chegada mais consistente das chuvas, situação que costuma trazer temperaturas elevadas e queda da umidade relativa do ar.
O documento destaca que a intensidade do evento ainda não está claramente definida e que as condições atuais sugerem a possibilidade de um El Niño ao menos moderado, portanto não há confirmação de um episódio extremo.
Modelos climáticos monitoram a região Niño 3.4 do Pacífico equatorial e mostram aquecimento progressivo das águas na superfície, enquanto abaixo da superfície há anomalias positivas até cerca de 300 metros de profundidade com valores acima de 2 graus Celsius em ampla faixa e pontos superiores a 4 graus Celsius, o que favorece a evolução do fenômeno nos meses seguintes.
Especialistas lembram que o comportamento final do sistema depende da interação com outros elementos do clima global como as condições do Atlântico Tropical e que essas interações podem alterar impactos regionais no Brasil incluindo em Mato Grosso do Sul.
Para o Estado a questão central não é apenas o rótulo El Niño, mas a sequência de meses mais quentes no fim do inverno e na primavera que reduz a umidade do ar e seca a vegetação tornando Pantanal e Cerrado mais suscetíveis a focos de fogo e a sua rápida propagação.
O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul já iniciou reforços para a temporada e trabalha com a possibilidade de uma temporada intensa após as crises de incêndios enfrentadas em 2020 e 2024, especialmente no Pantanal.
A corporação informa que o Plano Estadual de Manejo Integrado do Fogo prevê mobilização de até 170 militares dedicados exclusivamente ao combate a incêndios florestais além de apoio de brigadas municipais órgãos ambientais e prefeituras e eventual apoio da Força Nacional quando necessário.
Também estão previstas até 11 bases avançadas em áreas de difícil acesso como a região do Amolar no Pantanal e incremento no efetivo equipamentos e monitoramento para atuação mais rápida em pontos críticos.

O histórico recente reforça a cautela das autoridades em Mato Grosso do Sul, porque em 2020 o bioma Pantanal teve 3,9 milhões de hectares atingidos pelo fogo sendo 1,8 milhão em território sul-mato-grossense segundo o LASA da UFRJ e em 2024 cerca de 1,9 milhão de hectares queimaram no Estado dos quais aproximadamente 1,7 milhão no Pantanal conforme balanço do Governo do Estado e do Corpo de Bombeiros.
Enquanto a previsão climática e os mapas de projeção do Pacífico equatorial alimentam o alerta as autoridades estaduais priorizam ações de prevenção detecção e pronta resposta já no segundo semestre visando reduzir a chance de incêndios fora de controle durante a janela mais sensível.
A nota técnica lembra que impactos locais podem variar e que monitoramento contínuo das condições oceânicas e atmosféricas e coordenação entre órgãos de defesa civil ambientais e de segurança serão determinantes para a gestão do risco.
