El Niño tem 98% de chance de se formar e Pantanal pode sentir impacto direto
O avanço de um possível super El Niño voltou a acender alerta no Pantanal de Mato Grosso do Sul. Diferente da percepção de aumento de chuvas em parte do Centro-Sul do país, os efeitos esperados sobre o bioma pantaneiro incluem redução das cheias, estiagem prolongada e agravamento do risco de incêndios florestais.
Dados do Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos indicam 98% de probabilidade de formação do fenômeno até o fim de 2026. A NOAA também aponta 96% de chance de permanência do El Niño até fevereiro de 2027, em um cenário que especialistas classificam como potencialmente intenso.
Super El Niño no Pantanal
No Pantanal, o principal reflexo esperado é a queda no volume de chuvas durante o período úmido, normalmente concentrado entre novembro e março. Sem precipitações suficientes na bacia do Alto Paraguai, os rios deixam de alcançar níveis considerados normais para o ciclo hidrológico da planície.

A consequência direta é a redução das áreas alagadas, consideradas fundamentais para o funcionamento ambiental do Pantanal. Lagoas temporárias secam mais rapidamente e o pulso natural de inundação perde força, comprometendo o equilíbrio ecológico do bioma.
O cenário também amplia de forma significativa o risco de incêndios florestais. A combinação entre estiagem prolongada, vegetação seca e temperaturas acima da média cria condições favoráveis para propagação rápida do fogo.
Gramíneas e arbustos passam a funcionar como combustível natural, aumentando a intensidade dos incêndios e dificultando o trabalho de brigadistas em áreas de preservação. Em anos recentes, o Pantanal já enfrentou temporadas históricas de queimadas associadas à seca extrema e ao calor persistente.

A biodiversidade pantaneira também entra na rota de impacto direto. A redução dos níveis de água afeta a sobrevivência de espécies aquáticas e interrompe ciclos naturais de reprodução.
Com rios mais rasos e lagoas secando antes do período esperado, cresce a mortalidade de peixes devido à baixa oxigenação da água. O fenômeno compromete ainda a piracema e reduz a oferta de alimento para outras espécies do bioma.
Animais como tuiuiú, jacaré e ariranha sofrem com a fragmentação dos habitats e encontram mais dificuldade para alimentação e reprodução durante períodos prolongados de seca.

Além dos impactos ambientais, o El Niño preocupa produtores rurais e o setor turístico pantaneiro. A falta de água reduz a qualidade das pastagens nativas utilizadas na pecuária extensiva, principal atividade econômica da região.
Com menor disponibilidade hídrica, produtores enfrentam dificuldade para manter os rebanhos nas fazendas e, em alguns casos, precisam antecipar manejo ou retirada de animais de áreas mais afetadas pela estiagem.

O turismo ecológico e a pesca esportiva também podem sofrer prejuízos. O baixo nível dos rios dificulta a navegação de embarcações turísticas e compromete atividades realizadas em hotéis e pousadas da região pantaneira.
Especialistas apontam que o aquecimento global vem intensificando a frequência e a força dos eventos de El Niño nas últimas décadas, aumentando a ocorrência de extremos climáticos em diferentes regiões do planeta.
