Em um piscar de olhos: vitória mais apertada de Senna na F1 completa 40 anos
Ayrton Senna venceu por milímetros em uma das corridas mais acirradas da F1
A conquista do GP da Espanha de 1986, há 40 anos, se consolidou como a vitória mais apertada da trajetória de Ayrton Senna na Fórmula 1. A prova em Jerez de la Frontera foi marcada por uma batalha intensa com o britânico Nigel Mansell, que terminou com o brasileiro cruzando a linha de chegada por uma diferença mínima.
A disputa épica envolveu Senna, pilotando a Lotus preta, defendendo-se ferozmente da investida da Williams de Mansell. Senna havia assumido a liderança após pressionar o rival e executar uma ultrapassagem decisiva. Momentos depois, o próprio Mansell foi superado por Alain Prost.
Nas voltas finais, a emoção atingiu o ápice com Mansell, equipado com pneus novos, reduzindo a diferença de forma alucinante, como relatou o narrador Galvão Bueno. A definição da corrida ocorreu na última volta, com Mansell se aproximando inexoravelmente.
Ao avistar a reta dos boxes para receber a bandeirada, Senna viu Mansell lado a lado. A narração da época descreveu o momento como uma disputa “por meio carro”, comparada a uma “corrida de cavalos no Jóquei Clube”, com ambos os pilotos cruzando a linha simultaneamente.
A proximidade da chegada foi tão grande que a definição do vencedor demorou. Mansell, mesmo após cruzar a linha, só soube que terminara em segundo após conversar com os diretores de prova. A imagem icônica do GP, capturada pelo Phipps Archive e hoje parte da Sutton, ilustra perfeitamente a disputa por centímetros.
Para ilustrar a margem exígua, a comparação com frames por segundo (FPS) é pertinente. Um segundo de vídeo em televisão, composto por 30 quadros (frames), tem a duração de 33 milésimos de segundo cada. A diferença entre Senna e Mansell foi superior a este tempo, mas inferior à duração de um piscar de olhos, estimado entre 150 e 200 milésimos.
Extenuado após a batalha, Senna relatou as dificuldades da prova. “A prova foi a mais difícil que eu fiz até hoje e tive um desgaste altíssimo”, comentou o piloto. Ele ainda explicou que o tubo de hidratação saiu do capacete na terceira volta, o que o deixou sem beber durante toda a corrida, levando à desidratação.
Senna reconheceu a pressão imposta por Mansell nas voltas finais. “O Mansell no final. É impossível, quando ele trocou os pneus ficou muito rápido. A potência que o motor Honda tem era impossível segurá-lo, se tivesse mais uma volta ele teria me passado”, completou.
Nigel Mansell, por sua vez, demonstrou bom humor com a proximidade da chegada. “Na linha de chegada, eu estava logo ao lado dele. Acho que foi tão próximo que eles deveriam dar 7,5 pontos para cada um”, brincou o britânico, referindo-se à pontuação reduzida em caso de resultados muito próximos.
A vitória de Senna em 1986, embora notavelmente apertada, não detém o recorde de chegada mais próxima na Fórmula 1. Esse feito pertence ao GP da Itália de 1971, quando Peter Gethin superou Ronnie Peterson por apenas 0s010. A diferença entre Senna e Mansell foi de 0s014.

