Estado contrata consultoria por R$ 3,8 milhões para definir privatização do estádio Morenão
O Governo de Mato Grosso do Sul contratou por R$ 3,83 milhões uma consultoria para estruturar a futura concessão do Morenão, em Campo Grande, antes mesmo de o estádio voltar a receber partidas oficiais. A Alvarez & Marsal Consultoria em Engenharia foi escolhida por inexigibilidade de licitação para elaborar os estudos que vão definir como o equipamento poderá ser explorado pela iniciativa privada.
O contrato tem valor global de R$ 3.832.274. Não há, nas informações disponíveis, comprovação de que esse valor integral já tenha sido desembolsado. O que existe é a contratação do serviço pelo montante estabelecido no contrato.
A escolha sem concorrência coloca uma questão que precisa ser esclarecida pelo Governo de Mato Grosso do Sul. O que torna a empresa contratada específica para executar esse trabalho e por que não houve disputa com outras consultorias capazes de desenvolver estudos para uma concessão desse porte.

A inexigibilidade é prevista na legislação e não significa, isoladamente, que tenha ocorrido irregularidade. Mas a contratação direta exige justificativa para a escolha da empresa e demonstração de que o preço contratado é compatível com o mercado. No caso do Morenão, o valor de R$ 3,8 milhões torna necessário conhecer quais serviços serão entregues, quais critérios foram utilizados para formar o preço e quais alternativas foram avaliadas pelo Estado.
A contratação ocorre em paralelo ao projeto de recuperação do estádio. O governo anunciou R$ 16,7 milhões para as obras necessárias à retomada do espaço. Só a substituição completa do gramado tem previsão de custo de R$ 1 milhão, além de aproximadamente R$ 20 mil destinados a mobiliário e segurança.
A consultoria, portanto, representa cerca de 23% do valor anunciado para a recuperação do estádio. É uma proporção que chama atenção porque o serviço não corresponde à obra física de recuperação. Trata-se da estruturação do projeto que poderá resultar na concessão do equipamento por até 35 anos.
Um estádio que passou anos fechado
O Morenão chegou a ficar durante anos sem condições de receber o público. Problemas estruturais, elétricos, de acessibilidade e de segurança provocaram interdições e limitaram a utilização do estádio, que durante décadas foi administrado pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.

A mudança na gestão ocorreu em 2026, depois de negociações entre a UFMS e o Governo de Mato Grosso do Sul. Com o controle do espaço, o Estado passou a conduzir o processo de recuperação e, paralelamente, a preparar a concessão para a iniciativa privada.
A previsão da Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul é que o estádio esteja em condições de receber a abertura do Campeonato Sul-Mato-Grossense da Série A em janeiro de 2027.
O Morenão foi inaugurado em 1971 como Estádio Universitário Pedro Pedrossian e se tornou o principal palco do futebol sul-mato-grossense. Operário e Comercial disputaram no local partidas do Campeonato Brasileiro da Série A durante o período de maior movimento do estádio.
Em 1978, quase 45 mil torcedores acompanharam a vitória do Operário sobre o Palmeiras. O estádio também recebeu a Seleção Brasileira em 1982, em partida contra a Seleção de Mato Grosso do Sul, e voltou a receber a equipe nacional em 2010, quando Brasil e Venezuela jogaram pelas Eliminatórias da Copa do Mundo.
A recuperação pretende recolocar o estádio no calendário esportivo. A concessão, por outro lado, vai definir quem poderá administrar e explorar comercialmente o espaço pelos próximos anos.
Antes disso, porém, o processo de contratação da consultoria terá de responder às perguntas sobre o custo de R$ 3,8 milhões e a ausência de concorrência. O ponto central não é apenas quanto o Estado pretende investir no Morenão, mas quanto está sendo contratado para decidir como o patrimônio público será concedido e quais critérios sustentaram a escolha da empresa.
