Turismo de observação de aves é destaque na COP15 com registro raro em MS

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Em apresentação realizada na Casa do Homem Pantaneiro, no Parque das Nações Indígenas, integrantes da Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul ligaram a promoção do turismo de observação de aves a medidas concretas de conservação e divulgaram um registro ornitológico de grande significado para o País.

Registro científico inédito em Mato Grosso do Sul

Pesquisadores que realizavam consultoria ambiental identificaram a ave Geothlypis agilis, conhecida como Mariquita de Connecticut, em uma área de Cerrado stricto sensu entre os municípios de Água Clara e Paraíso das Águas, informação que amplia o alcance conhecido da espécie no Brasil.

Maurício Neves Godoy relatou a relevância do achado para a compreensão das rotas migratórias e trouxe a avaliação sobre a ocorrência no estado. “esse é o primeiro registro da espécie no Mato Grosso do Sul e também o mais ao sul já documentado. Trata-se de uma ave migratória do hemisfério norte, com área de invernada conhecida na Amazônia, sem indícios anteriores de deslocamento até regiões de Cerrado tão ao sul”.

O exemplar foi observado em plumagem não reprodutiva, o que reforça o caráter migratório do evento. Levantamentos preliminares apontam que antes deste avistamento havia apenas dois registros oficiais da espécie no Brasil, ambos concentrados na região amazônica.

Estratégias de promoção e formação de guias

A atividade integrou a programação da Conexão Sem Fronteiras, sequência de debates da COP15 em Campo Grande entre 23 e 29 de março, e reuniu como expositores Edson Moroni, Geancarlo Merighi e o ornitólogo e doutorando da UFMS Alyson Melo. A Fundação ressaltou a articulação com instituições e municípios para estruturar o segmento de observação de aves.

Geancarlo Merighi apresentou a iniciativa de apoio técnico aos municípios para desenvolver o segmento e detalhou o escopo do trabalho. “existe um projeto de desenvolvimento do turismo desse segmento na Fundação de Turismo, que dá apoio técnico e orientação aos municípios de Mato Grosso do Sul para que eles possam desenvolver o turismo de observação de aves”.

Edson Moroni colocou em evidência a parceria entre órgãos estaduais e a rede de hospedagem local como pilar das ações de conservação atreladas ao birdwatching, destacando também os locais que concentram maiores registros de espécies. “A Fundação de Turismo, juntamente com o Imasul e pousadas pantaneiras, promovem ações de conservação com a atividade de birdwatching. E os hotspots de observação de aves do estado, que são destaques no número de registro de espécies, representam os resultados dessa conservação”.

Alyson Melo destacou ainda a necessidade de capacitação específica para recepção desse público e relacionou formação de guias com qualidade do serviço e preservação dos ambientes visitados. “A parceria que existe entre o Instituto Mamede e a Fundtur para preparar mais guias para receber esse público é muito louvável, pois além de saber de aves, esse guia precisa saber de gente. Precisamos renovar nosso quadro de guias com essas qualificações”.

No encerramento da apresentação foi exibido o vídeo Pantanal Jam – Sons do Pantanal de Mato Grosso do Sul, projeto que aproxima arte, turismo e sustentabilidade e que também atua como vitrine para ações de conservação locais. Bruno Wendling contextualizou o alcance da iniciativa com ênfase no apoio a projetos já atuantes na região. “Este projeto, que reproduz os sons dos pássaros do Pantanal e os transforma em música, não é só uma campanha promocional do destino. É também um suporte de divulgação de projetos de conservação do Pantanal como o Projeto Arara Azul, SOS Pantanal, Onçafari e Instituto Homem Pantaneiro, que há décadas fazem um trabalho maravilhoso em Mato Grosso do Sul”.

A programação da Casa do Homem Pantaneiro permaneceu aberta ao público durante toda a semana com atividades culturais e debates temáticos gratuitos, e o conteúdo apresentado reforçou a posição do estado como área estratégica para estudos e intervenções voltadas à conservação de espécies migratórias e ao desenvolvimento responsável do turismo de observação de aves.

Foto de capa Bolivar Porto

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