Fiscalização permanente da SES apreende mais de 2 mil canetas emagrecedoras ilegais e anabolizantes

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Em força-tarefa integrada com Correios e Anvisa, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) desmontou um esquema de remessa postal de produtos irregulares oriundos do Paraguai, identificando itens camuflados em encomendas. A operação de fiscalização resultou na apreensão de 2.071 unidades de produtos sem registro sanitário retirados de circulação nos primeiros três dias de ação, entre os dias 2 e 4 deste mês.

O lote apreendido incluía canetas emagrecedoras, esteroides anabolizantes, ampolas e comprimidos anorexígenos à base de lisdexanfetamina. Os produtos não possuíam o devido registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e eram comercializados sem a documentação fiscal exigida.

Para burlar a fiscalização, as substâncias eram ocultadas em encomendas, disfarçadas em meio a presentes e objetos comuns. Os itens foram encontrados camuflados em bolsas, copos térmicos, erva de tereré, frascos de óleo e creme hidratante, além de escondidos em embalagens de alimentos, como sacos de feijão, e materiais escolares.

As encomendas foram identificadas por meio de inspeção por raio-X no fluxo postal e retidas pela Gerência de Seguridade Empresarial dos Correios. Conforme a SES, além das irregularidades sanitárias, foi constatado que os itens apresentavam condições inadequadas de transporte e armazenamento, o que configura um risco adicional à saúde, visto que muitos medicamentos como as canetas emagrecedoras exigem refrigeração entre 2ºC e 8ºC.

A SES reforça que a comercialização e o envio de medicamentos e produtos sujeitos à vigilância sanitária não nacionalizados, sem registro ou comprovação de origem, configuram grave risco à população. O fiscal da Vigilância Sanitária Estadual, Matheus Moreira Pirolo, explicou que muitas embalagens são sofisticadas para transmitir uma falsa sensação de segurança, indicando procedência como Reino Unido e Alemanha, embora não sejam produzidas nesses locais.

Ele detalha que a ideia é gerar uma sensação de credibilidade, porém se trata de substâncias que não são reconhecidas por agências reguladoras, com a Tirzepatida; e até que ainda estão em fase de testes sem possuir aprovação de uso em nenhum local do mundo, como a Retatrutida, ainda em fase experimental.

O uso indiscriminado desses medicamentos pode gerar eventos adversos sérios. Além disso, há risco de eventos adversos em saúde, como pancreatite aguda, insuficiência renal, perda de massa muscular e efeitos decorrentes de superdosagem. Pirolo completou que esse tipo de medicação pode ser utilizada desde que registrada e mediante acompanhamento de endócrino ou nutrólogo e acompanhada de mudança de hábitos de vida como reeducação alimentar e atividades físicas regulares, porque senão tem efeito rebote e o reganho de peso.

O fiscal também destacou que a não averiguação de pré-disposição genética para câncer de tireoide e câncer do sistema endócrino podem levar pessoas com essa condição a desenvolverem a doença após o uso indiscriminado do medicamento.

Ação permanente Visa Protege intensifica fiscalização em Mato Grosso do Sul

Em resposta ao risco que se espalha pelo País, a Anvisa iniciou o ano de 2026 intensificando a fiscalização desses produtos. No Estado, a Coordenadoria de Vigilância Sanitária estabeleceu uma força-tarefa por meio do Visa Protege, desenvolvendo uma ação permanente e operações conjuntas com outros órgãos fiscalizadores e de segurança pública.

Os trabalhos intensivos, que se iniciaram na última segunda-feira (2) nos Correios, seguirão durante todo o mês. A operação conta com a atuação integrada da Vigilância Sanitária Estadual, Anvisa, CVPAF-MS (Coordenação de Vigilância Sanitária de Portos, Aeroportos e Fronteiras de Mato Grosso do Sul), CRF/MS (Conselho Regional de Farmácia de Mato Grosso do Sul) e Correios. Outros locais de trânsito de mercadorias, como transportadoras, aeroportos do Estado e rodovias federais e estaduais, também serão alvos da fiscalização permanente.

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