Mato Grosso do Sul fortalece logística e desenvolvimento no Vale da Celulose com nova ferrovia
Mato Grosso do Sul reforça sua posição como potência global da celulose com o avanço de projetos estratégicos de infraestrutura. A cidade de Inocência sediou o lançamento da pedra fundamental da ferrovia do Projeto Sucuriú, um empreendimento crucial para a fábrica da Arauco, que atualmente está em fase de construção. Esta ferrovia, classificada como a primeira ‘short line’ brasileira, representa uma conexão vital para o escoamento da produção e para o desenvolvimento regional.
A nova linha férrea terá 54 km de extensão e ligará a unidade da Arauco à Malha Norte, que é operada pela Rumo. A expectativa é que o ramal, viabilizado após a instituição do novo marco regulatório das ferrovias em dezembro de 2021, esteja concluído no segundo semestre de 2027. Desse total, 9 km estarão dentro do complexo industrial do Projeto Sucuriú e 45 km farão a interligação até a Malha Norte.
O investimento privado da Arauco, que totaliza US$ 4,6 bilhões, tem como conceito central a otimização dos custos logísticos. Ao entrar em operação, a ferrovia permitirá que 3,5 milhões de toneladas de celulose sejam escoadas anualmente, transportando a produção diretamente para os portos do litoral brasileiro, com destaque para o Porto de Santos, por meio de um modal mais seguro e econômico.
O governador Eduardo Riedel destacou a importância da melhoria logística para a competitividade das empresas do estado, pontuando o papel da integração ferroviária. “A logística é absolutamente necessária para a competitividade das empresas. Essa short line conecta a fábrica a rede da Malha Norte e depois à Malha Paulista. E esse ano teremos a concessão da Malha Oeste, a nossa ferrovia de Mato Grosso do Sul que liga Três Lagoas, Campo Grande e Corumbá à Malha Paulista, desaguando a produção no Porto de Santos”.
Segundo o governador, o aporte financeiro estadual em infraestrutura na região do Vale da Celulose é robusto. “As investimentos em rodovias, concessões, a Rota da Celulose, tudo isso soma R$ 10 bilhões de aporte próprio do Estado. Só nessa região [Vale da Celulose] o investimento é de R$ 1 bilhão. São rodovias que são fundamentais para ligar pontos de produção às unidades de fabris e dar segurança para o trânsito das pessoas”.
Rota da Celulose e Gasoduto
A logística integrada do Projeto Sucuriú inclui melhorias significativas nas rodovias e a construção de um novo gasoduto. Foi assinado o contrato de concessão para a recuperação, operação, manutenção e ampliação da capacidade dos trechos que formam a Rota da Celulose.
O consórcio Caminhos Celulose será o responsável pelas obras e operação das rodovias MS-040, MS-338, MS-395, BR-262 e BR-267. Ao longo de 30 anos, o contrato prevê investimentos de R$ 10,1 bilhões, somando custos de operação (opex) e aportes para modernização (capex). O projeto rodoviário inclui 115 km de duplicações e a construção de acostamento em todo o sistema concedido.
Além da infraestrutura de transportes, o Governo de Mato Grosso do Sul também formalizou a ordem de início de serviço para a construção do gasoduto do Projeto Sucuriú. A obra, que ligará a estação de gás de Três Lagoas à fábrica em Inocência, terá cerca de 125 km de extensão e absorverá mais de R$ 170 milhões em investimentos por intermédio da MS Gás.
O presidente da Arauco no Brasil, Carlos Altimiras Ceardi, destacou que as parcerias com o setor privado são fundamentais para um olhar de longo prazo, sendo a nova ferrovia um marco legal claro nessas parcerias. “Demonstra flexibilidade em função do que precisamos, pois é muito importante a logística, é essencial para o Brasil desenvolver infraestrutura e logística para que seja muito mais competitivo”.
Apoio Federal e Impacto Econômico
O lançamento da pedra fundamental da ‘short line’ contou com a participação dos ministros Renan Filho (Transportes) e Simone Tebet (Planejamento e Orçamento), que reforçaram o apoio federal ao desenvolvimento da infraestrutura sul-mato-grossense.
A ministra Simone Tebet afirmou que o estado está em um período histórico de resolução de gargalos logísticos. “Nesses quatro anos o nosso Estado está fazendo história porque tem um governador que teve a capacidade de defender Mato Grosso do Sul. E nós temos que resolver o problema das rodovias e da ferrovia, e isso está acontecendo agora”.
O ministro Renan Filho mencionou a atração de investimentos privados e o futuro leilão da Malha Oeste. “O Mato Grosso do Sul está em máxima de investimento do Governo Federal, de atração de investimento privado e vai entrar agora para o leilão da Malha Oeste, em máxima de investimento ferroviário. Isso vai aumentar a competitividade. O Estado se aproxima de São Paulo em infraestrutura para exportar aquilo que produz. Então é muito importante”.
A fábrica de celulose da Arauco em Inocência tem previsão de iniciar as operações regulares até o final de 2027. A fase de construção deve gerar mais de 14 mil empregos. Na etapa operacional, estima-se que sejam criadas cerca de 6 mil vagas entre postos diretos e indiretos, consolidando o projeto como um motor de desenvolvimento e oportunidade para a população local.

