Vetorial anuncia fechamento de siderúrgica em MS e ameaça centenas de empregos

Vetorial Siderurgia S.A. comunicou ao Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Siderúrgicas de Corumbá (STISC) que pretende encerrar a produção industrial da unidade de Ribas do Rio Pardo em 11 de dezembro de 2026. A decisão poderá provocar demissões e mobilizou a prefeitura, que tenta articular uma solução com a empresa, o Governo do Estado e representantes da cadeia produtiva.

O comunicado foi formalizado em documento datado de 4 de novembro, assinado pela Diretoria de Recursos Humanos e pelo Departamento Jurídico da companhia. A correspondência foi encaminhada à direção do sindicato e solicita a participação prévia da entidade antes da efetivação de desligamentos.

Segundo a empresa, a principal dificuldade está no abastecimento de carvão vegetal, matéria-prima utilizada nos fornos siderúrgicos. A disputa pela madeira de eucalipto com indústrias de celulose e de etanol de milho teria reduzido a disponibilidade do material e comprometido a viabilidade econômica da produção.

A Vetorial afirma enfrentar o problema há aproximadamente um ano. Durante esse período, avaliou alternativas para manter a unidade em funcionamento, inclusive a possibilidade de utilizar matérias-primas importadas, mas não conseguiu estabelecer condições regulares e economicamente sustentáveis de fornecimento.

Além da dificuldade com o carvão, a companhia relacionou a decisão ao cenário econômico nacional, aos custos operacionais e logísticos, às dificuldades de competitividade da indústria brasileira e à retração de setores das cadeias siderúrgica e mineral.

Prefeitura tenta reunir empresa, governo e setor florestal

A perspectiva de paralisação preocupa a administração municipal pelo peso da siderúrgica na economia local. O prefeito Roberson Luiz Moureira afirmou que centenas de famílias dependem direta ou indiretamente da atividade. “É uma notícia triste, é preocupante para nós, claro”, declarou.

Logo após receber o comunicado, o prefeito iniciou conversas com o presidente do Grupo Vetorial, com o secretário estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, Artur Henrique Leite Falcette, e com o deputado estadual Paulo Corrêa. A intenção é envolver diferentes setores do poder público na busca por alternativas para reduzir os impactos da decisão.

Roberson também apontou que a concorrência pela madeira de eucalipto se intensificou com a demanda de outros segmentos industriais. “A alegação principal da empresa é a falta de madeira para produzir carvão”, afirmou ao explicar o problema de abastecimento.

Para tentar evitar a paralisação definitiva, a prefeitura solicitou uma reunião com representantes da Vetorial na próxima semana. O encontro deverá reunir empresa, Governo do Estado, administração municipal e integrantes da cadeia produtiva, incluindo a Reflore, entidade ligada ao setor florestal.

A preocupação não se limita aos empregados da siderúrgica. O funcionamento da unidade movimenta fornecedores de matérias-primas, transportadores, prestadores de serviços e estabelecimentos comerciais. Com a interrupção da produção, a redução da circulação de recursos poderá atingir outros segmentos da economia de Ribas do Rio Pardo.

Sindicato deverá participar antes de qualquer demissão

No documento enviado ao STISC, a Vetorial reconhece que o encerramento das operações deverá resultar no desligamento de empregados vinculados à unidade. A companhia, porém, informa que poderá avaliar o aproveitamento de determinados profissionais em outras atividades ou instalações do grupo.

O número de trabalhadores que poderão perder o emprego não foi apresentado na comunicação. A empresa se comprometeu a fornecer a quantidade de funcionários atingidos, suas respectivas funções, o cronograma de desligamentos e as possíveis medidas de proteção e assistência durante reunião com o sindicato.

A solicitação de participação sindical prévia segue o entendimento do Supremo Tribunal Federal no Tema 638 da Repercussão Geral, relacionado à intervenção sindical em processos de dispensa coletiva. A Vetorial pediu uma reunião prioritária para apresentar os motivos da decisão, discutir os impactos trabalhistas e receber propostas que possam reduzir os prejuízos aos empregados.

Nenhuma comunicação de desligamento ou demissão decorrente do encerramento deverá ocorrer antes dessa intervenção, conforme compromisso registrado pela companhia. O encontro poderá ser realizado na sede da empresa, na sede do sindicato ou por videoconferência.

Por enquanto, a previsão comunicada pela Vetorial permanece sendo a interrupção da produção em 11 de dezembro. A articulação anunciada pela prefeitura busca construir uma alternativa antes da data prevista para o encerramento das atividades.

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